Mudança no SUS amplia acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos
Mamografia no SUS: nova regra para mulheres de 40 a 49 anos

Uma mudança recente no Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o acesso à mamografia para mulheres na faixa etária de 40 a 49 anos. Até então, essa parcela da população enfrentava barreiras significativas para realizar o exame na rede pública, apesar de concentrar cerca de um quarto de todos os diagnósticos de câncer de mama no país.

O que mudou no acesso à mamografia?

Segundo o radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a nova diretriz do SUS busca corrigir uma lacuna histórica. Anteriormente, a mamografia de rastreamento era prioritariamente indicada para mulheres a partir dos 50 anos, com periodicidade bienal. Para aquelas entre 40 e 49 anos, o exame só era liberado mediante solicitação médica baseada em fatores de risco ou sintomas. Com a atualização, a recomendação passou a incluir essa faixa etária como público-alvo para o rastreamento regular.

“A evidência científica mostra que cerca de 24% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em mulheres entre 40 e 49 anos”, explica Rodrigues. “Ignorar essa realidade significava perder a oportunidade de detectar tumores em estágios iniciais, quando as chances de cura são maiores.”

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Impacto na saúde pública

A medida visa reduzir a mortalidade por câncer de mama no Brasil, que ainda registra altos índices. Estima-se que, com o rastreamento ampliado, mais tumores possam ser identificados precocemente, diminuindo a necessidade de tratamentos agressivos e aumentando a sobrevida das pacientes.

“A mamografia é o principal método para detecção precoce do câncer de mama”, reforça o radiologista. “Garantir que mulheres na faixa dos 40 aos 49 anos tenham acesso facilitado ao exame é um passo fundamental para salvar vidas.”

Como solicitar o exame pelo SUS

Com a nova regra, mulheres entre 40 e 49 anos podem procurar uma unidade básica de saúde (UBS) para solicitar a mamografia de rastreamento. Não é mais necessário apresentar sintomas ou histórico familiar para ter o exame autorizado. Basta estar dentro da faixa etária e seguir os encaminhamentos da equipe de saúde da família.

O exame continua sendo ofertado gratuitamente pelo SUS, com agendamento nas unidades que dispõem de mamógrafos. Em municípios menores, pode haver necessidade de deslocamento para centros de referência, mas a portaria garante a cobertura para toda a população.

O papel do radiologista

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, radiologista com experiência em diagnóstico por imagem, destaca a importância de os médicos interpretarem corretamente os laudos. “A qualidade da mamografia e a capacitação dos profissionais são essenciais para evitar falsos positivos e garantir que os achados sejam corretamente avaliados”, afirma.

Ele também alerta que a mudança nas diretrizes não substitui a consulta médica regular. “A mamografia é uma ferramenta poderosa, mas o acompanhamento clínico e o autoexame continuam sendo importantes”, conclui.

Perspectivas futuras

A ampliação do rastreamento para mulheres de 40 a 49 anos representa um avanço na política de saúde da mulher no Brasil. Especialistas esperam que a medida reduza as desigualdades regionais no acesso ao diagnóstico precoce, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a infraestrutura de saúde é mais limitada.

Organizações de apoio à luta contra o câncer de mama celebram a decisão, mas pedem que o governo invista também em campanhas de conscientização e na modernização dos equipamentos. “Não basta mudar a regra; é preciso garantir que os mamógrafos estejam em funcionamento e que as mulheres saibam que têm direito ao exame”, ressalta Rodrigues.

Com a atualização, o SUS se alinha a recomendações internacionais de órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional de Câncer (INCA), que já preconizam o rastreamento a partir dos 40 anos em países com alta incidência da doença.

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