Mais de 6 mil pacientes aguardam por cirurgias eletivas no Sul de MG
Mais de 6 mil esperam por cirurgias eletivas no Sul de MG

Mais de 6 mil pacientes estão na fila por cirurgias eletivas em três das maiores cidades do Sul de Minas Gerais: Varginha, Passos e Poços de Caldas. A demora tem agravado quadros de saúde e levado muitos a recorrer ao atendimento particular para conseguir realizar os procedimentos.

Fila ultrapassa 6 mil pacientes nas três maiores cidades

Dados das secretarias municipais mostram que a fila por cirurgias eletivas soma 6.004 pacientes nas três cidades consultadas pela EPTV. Em Varginha, mais de 2.700 pessoas aguardam por procedimentos. Em Passos, são 1.788 pacientes na espera. Já em Poços de Caldas, 1.516 pessoas aguardam por algum tipo de cirurgia eletiva.

Em Poços de Caldas, a maior demanda é por cirurgias vasculares, principalmente para tratamento de varizes, com 437 pacientes na fila. O secretário municipal de Saúde, José Gabriel Pontes Baeta da Costa, atribuiu o aumento da fila à interrupção dos procedimentos em anos anteriores. "As cirurgias de varizes, pegando agora especificamente o caso da Secretaria Municipal de Saúde, nós tivemos um período significativo em que elas não foram sendo realizadas. Sobretudo no final de 2023, 2024, até o comecinho de 2025. Inúmeros fatores que perpassam desde a ausência de profissionais para estar fazendo esse procedimento, até mesmo algumas políticas públicas que foram sendo implementadas ao longo do caminho e hoje, graças também às políticas estaduais, do Valora Minas, política federal, do Aqui Tem Especialistas, Poços de Caldas tem conseguido avançar e é óbvio que é um número que a gente quer diminuir, mas que já vem aí sendo realizada semana a semana para garantir o atendimento dessas pessoas", afirmou.

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Espera prolongada pode transformar cirurgia eletiva em urgência

O cirurgião vascular Alberto Brasil Barbosa Duarte explicou que cirurgias eletivas são procedimentos programados, sem caráter de urgência. "É uma cirurgia que a gente pode fazê-la com um certo planejamento, visando sempre a maior segurança do paciente, numa data agendada, que não caracteriza uma urgência ou uma emergência médica", explicou. No entanto, o médico alertou que a espera prolongada pode trazer consequências graves. "Nas cirurgias arteriais, principalmente, porque várias coisas podem desestabilizar o caso. Às vezes você pode transformar um procedimento que é eletivo, dependendo dos sintomas que o paciente apresenta, em uma urgência, emergência. As varizes são uma doença progressiva. Se a gente aguarda muito, o estágio dela vai piorando, a doença vai piorando e vai levando a maior sofrimento do paciente", disse.

Pacientes relatam sofrimento e falta de retorno

Em Varginha, a aposentada Cláudia Fioravanti espera por uma cirurgia de catarata. Sem previsão de novos mutirões, ela decidiu procurar um médico particular. "Eu uso mais de 5 graus, só que agora começou a doer, doer, doer, doer, arranhar, arranhar, arranhar, e não enxergando nada. Eu não estou aguentando, entendeu? Está doendo demais, tomo muito remédio, tenho doença crônica e para fora eu não vou de forma nenhuma. Eu tenho medo, eu tenho medo de operar", relatou.

A auxiliar de termalismo Cristiane Aparecida de Moraes Cândido está na fila para uma cirurgia vascular na perna e também precisa de procedimento para síndrome do túnel do carpo. "Descobrindo com os médicos da ortopedia, ele pediu os exames, pediu a ultrassom da mão e descobriu o túnel do carpo. Esse exame é até bem complexo, é um exame até bem caro, o SUS não cobre e para a gente poder descobrir tem que fazer a eletromiografia. E essa cirurgia eu estou necessitada, porque ela vai atrofiando, o meu nervo não tem para onde crescer. E aí é o que eu estou aguardando lá. Já estou com meus exames pré-operatório prontos e estou aguardando a Secretaria de Saúde poder resolver o problema", contou.

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A supervisora de recepção Mariana Ananias recebeu diagnóstico de endometriose em 2019 e aguarda cirurgia desde junho do ano passado. "Não tem posição nenhuma. A gente tenta falar na Secretaria de Saúde, eles jogam para o PSF. O PSF já fez o trabalho dele, que é encaminhar o pedido cirúrgico para a Secretaria de Saúde. Essa cirurgia da endometriose me ajudaria muito, porque tiraria pelo menos essa dor que eu tenho na lombar, dor pélvica, dor na barriga, um inchaço na barriga, tudo isso. Então seria para uma melhora de qualidade de vida", afirmou.

Em Pouso Alegre, paciente espera 13 anos por cirurgia

A dona de casa Marilda Honório, de Pouso Alegre, relata esperar há 13 anos por uma cirurgia no nariz. "Eu não durmo direito, eu ronco muito, eu engasgo fácil, meu nariz vive sempre cortado, a aba inflama lá por dentro. Já faz 13 anos que eu estou correndo atrás. Está nas mãos da secretaria agora. Eles falaram que estão entrando em contato com o hospital para ver como vai fazer, que jeito que fica para fazer a cirurgia o mais rápido possível. O hospital não tem retorno, a Secretaria sempre fala que não tem retorno do hospital", disse.

Sobre os dados de Pouso Alegre, a prefeitura informou que não tem controle da fila de espera e, por isso, não possui números sobre os pacientes que aguardam por cirurgias eletivas. A administração também não informou quais medidas pretende adotar para tentar reduzir a fila.

A EPTV também entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Varginha para saber se há ações em andamento para diminuir o tempo de espera, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.