O arquiteto brasiliense Luiz Perillo, de 35 anos, morreu dias após ser submetido a um transplante multivisceral, cirurgia que substituiu cinco órgãos de um mesmo doador. O procedimento ocorreu na última semana no Hospital das Clínicas, em São Paulo, mas complicações pós-operatórias levaram ao óbito.
Luiz enfrentava uma condição rara: trombofilia, diagnosticada aos 20 anos, que evoluiu para falência progressiva do fígado, pâncreas e intestino. Em 2021, perdeu o intestino devido a uma trombose, passou a sofrer desnutrição severa e chegou a pesar apenas 34 kg.
Ele aguardou mais de quatro anos na fila por um transplante multivisceral, que exige estômago, pâncreas, fígado, intestino e rim de um único doador. O procedimento é considerado um dos mais complexos da medicina. Em fevereiro de 2025, o SUS passou a custear a cirurgia, e Luiz foi um dos primeiros pacientes beneficiados.
Durante a espera, Luiz manteve uma rotina de hemodiálise três vezes por semana e 13 horas diárias de nutrição parenteral. Mudou-se de Brasília para São Paulo para acompanhar o tratamento. Mesmo debilitado, fazia exercícios físicos para preservar a massa muscular, segundo a mãe, Jussara Martins.
Luiz tornou-se defensor da doação de órgãos, afirmando que 'uma pessoa pode salvar até oito vidas'. Ele descrevia a busca por um doador compatível como 'uma equação quase impossível' e 'como ganhar na loteria'.



