Lito Sousa internado por inflamação; entenda o câncer de próstata
Lito Sousa internado por inflamação; entenda câncer

O influenciador Lito Sousa, criador do canal no YouTube “Aviões e Músicas”, foi internado por oito dias para investigar uma inflamação no sistema nervoso central. Nos últimos dias, ele utilizou as redes sociais para tranquilizar os seguidores: a inflamação não é uma complicação do câncer de próstata, doença cujo diagnóstico ele revelou ter recebido poucos dias antes da internação. Ainda assim, o comunicador afirmou que pretende transformar a própria experiência em um alerta para que os homens falem mais abertamente sobre o tema.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre os homens no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A doença é associada ao envelhecimento: cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos, o que faz com que seja frequentemente chamada de câncer da “terceira idade”.

O que é o câncer de próstata?

A próstata é uma glândula exclusiva dos homens, localizada na parte baixa do abdômen, logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Com formato semelhante ao de uma maçã, o órgão envolve a porção inicial da uretra e é responsável por produzir parte do sêmen. O câncer de próstata surge quando há um tumor nessa glândula. Alguns tumores crescem rapidamente e podem se espalhar para outros órgãos, colocando a vida em risco; a maioria, porém, tem crescimento lento — estima-se que leve cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ — e pode não apresentar sintomas nem ameaçar a saúde.

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O diagnóstico é feito por biópsia prostática trans-retal ou transperineal, guiada por ultrassonografia e/ou ressonância magnética. A indicação do procedimento depende de alterações no toque retal e de valores suspeitos nos exames de sangue, como a dosagem do PSA.

Fatores de risco e causas do câncer de próstata

A idade é um dos principais fatores de risco. Tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam de forma relevante após os 60 anos. Homens que têm parentes de primeiro grau — especialmente pai ou irmão — com histórico da doença antes dos 60 anos também fazem parte do grupo de maior risco. Esse maior risco pode estar relacionado a fatores genéticos ou a hábitos de vida compartilhados por algumas famílias.

O excesso de gordura corporal, incluindo sobrepeso e obesidade, está associado a um risco maior de câncer de próstata avançado. Fumantes, por sua vez, têm mais chance de morrer por esse tipo de tumor, ainda que o tabagismo não seja apontado como causa direta. Algumas ocupações também merecem atenção, especialmente aquelas que envolvem contato com arsênio, cádmio, produtos usados na borracha, tecidos e agrotóxicos. Trabalhadores expostos à radiação, como profissionais da radiologia, e pessoas que cumprem jornadas noturnas entre 22h e 5h — por causa da alteração no relógio biológico — podem ter risco aumentado. Agricultores, trabalhadores da borracha, da indústria têxtil e profissionais de saúde que lidam com radiação estão entre os mais expostos.

Sintomas do câncer de próstata

Na fase inicial, o câncer de próstata é silencioso e muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma. Quando os sinais aparecem, eles podem ser semelhantes aos do crescimento benigno da próstata, como dificuldade para urinar e aumento da frequência urinária durante o dia ou à noite. Em estágio avançado, a doença pode causar dor óssea, sintomas urinários mais intensos e, nos quadros mais graves, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Tratamento e acompanhamento

O tratamento varia conforme o estágio da doença. Quando o tumor está localizado na próstata e não se espalhou, as opções incluem cirurgia, radioterapia e observação vigilante. Nos casos localmente avançados, a radioterapia ou a cirurgia podem ser combinadas com tratamento hormonal. Já na doença metastática, quando há metástases em outras partes do corpo, a terapia hormonal é a conduta mais indicada.

A escolha da terapia deve ser individualizada, com o paciente e o médico discutindo riscos e benefícios de cada alternativa. Depois do tratamento, o acompanhamento é feito por meio da dosagem do antígeno prostático específico (PSA) em amostras de sangue, geralmente a cada três ou seis meses.

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Prevenção e detecção precoce

A detecção precoce é uma estratégia importante para encontrar o tumor em fase inicial e aumentar as chances de sucesso do tratamento. Ela pode ser feita por exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos, tanto em pessoas com sinais e sintomas sugestivos quanto em pessoas sem sintomas, mas que pertencem a grupos de maior risco. No caso da próstata, os principais exames são o toque retal e a dosagem de PSA no sangue.

Reduzir a exposição a substâncias com potencial cancerígeno, adotar equipamentos de proteção individual (EPIs) fornecidos pelo empregador e monitorar riscos ocupacionais também são medidas que ajudam a proteger a saúde. A conscientização, como a proposta por Lito Sousa, é essencial para que mais homens busquem orientação médica e falem sobre a doença sem tabu.