Dois novos pacientes apresentam sinais de possível cura do HIV, permanecendo sem uso de antirretrovirais por 14 e 12 meses, respectivamente, com níveis indetectáveis do vírus. Ambos foram submetidos a transplantes de células-tronco de doadores portadores de uma mutação rara, conforme informações divulgadas pelo g1.
Detalhes dos casos e critérios de possível cura
Os casos são considerados como possíveis curas devido ao tempo relativamente curto sem medicação. Os pesquisadores necessitam de acompanhamento prolongado para confirmar a não reativação do HIV. Mesmo nos casos de cura já documentados, o monitoramento contínuo é mantido. O anúncio será apresentado na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, que ocorre esta semana no Rio de Janeiro, elevando de 11 para 13 o número de curas ou remissões do HIV registrados pela Sociedade Internacional de AIDS (IAS).
Paciente de Kansas City: 14 meses sem antirretrovirais
Um dos pacientes, denominado paciente de Kansas City, está há 14 meses sem os medicamentos que impedem a multiplicação do HIV, mantendo carga viral indetectável. Trata-se de um homem de 21 anos diagnosticado com HIV e uma forma agressiva de leucemia em 2018. Em outubro de 2020, ele recebeu células-tronco de uma doadora com duas cópias da mutação CCR5-delta32, que bloqueia a principal porta de entrada do HIV nas células. Após complicações pós-transplante, foi necessário um reforço de células-tronco. Os antirretrovirais foram suspensos em fevereiro de 2025 e, 14 meses depois, exames não detectaram o vírus no sangue nem células capazes de reiniciar a infecção. Antes do tratamento, apresentava mais de 2 milhões de cópias do HIV por mililitro de sangue.
Segundo paciente: 12 meses sem tratamento e hepatite B
O segundo paciente, também portador de hepatite B, recebeu células-tronco de um doador com a mesma mutação. O caso era mais complexo por apresentar diferentes formas do HIV, capazes de usar múltiplas portas de entrada celular. Os medicamentos foram suspensos pouco mais de quatro anos após o transplante. Após 12 meses, o HIV continuava indetectável, sem vírus replicante ou material genético completo do HIV em amostras intestinais. Contudo, a hepatite B voltou a se multiplicar em apenas 25 dias, já que parte dos antirretrovirais também a controlava.
Contexto e ressalvas sobre os procedimentos
É importante destacar que todos os casos documentados de cura do HIV até hoje envolveram transplantes de células-tronco para tratar leucemias, linfomas ou outras doenças graves do sangue. Esses procedimentos não foram realizados como tratamento específico contra o HIV, mas sim para as doenças hematológicas. A descoberta da mutação CCR5-delta32 como fator de proteção abre caminho para pesquisas futuras, mas o transplante ainda é um procedimento de alto risco, reservado a casos oncológicos.



