Câncer transmissível em animais: por que humanos estão a salvo?
Câncer transmissível em animais: por que humanos estão a salvo?

Os cânceres transmissíveis, fenômeno raro na natureza, afetam algumas espécies animais como bagres, diabos-da-tasmânia, cães e crustáceos. Nessas espécies, células cancerígenas podem se transferir de um indivíduo para outro sem a mediação de vírus ou bactérias, algo que não ocorre em humanos devido à alta variação genética e ao sistema imunológico eficiente. O estudo desses casos tem implicações importantes para a compreensão da evolução dos tumores e sua interação com o sistema imunológico.

Como os cânceres se tornam transmissíveis?

Nos animais afetados, as células tumorais se deslocam diretamente entre hospedeiros por mecanismos como mordidas (no caso do diabo-da-tasmânia), contato próximo ou durante o acasalamento (no tumor venéreo transmissível canino). Diferentemente dos vírus oncogênicos, que introduzem material genético nas células, esses cânceres são formados por células que se desprendem do tumor original e colonizam um novo hospedeiro. Isso só é possível quando a diversidade genética da espécie é baixa e o sistema imunológico não reconhece as células como estranhas.

Espécies afetadas e exemplos conhecidos

O exemplo mais emblemático é o tumor facial do diabo-da-tasmânia, que já reduziu drasticamente a população desse marsupial na Tasmânia. Nos cães, o tumor venéreo transmissível (TVT) é um câncer que se espalha durante o coito e é conhecido há séculos. Bagres e crustáceos também apresentam linhagens de câncer transmissível, indicando que o fenômeno pode ser mais comum do que se imagina em espécies com baixa variabilidade genética.

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Por que os humanos estão imunes?

Em humanos, o sistema imunológico é altamente eficiente em rejeitar células estranhas devido à enorme diversidade de moléculas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC). A variação genética entre os indivíduos impede que células cancerígenas de uma pessoa se estabeleçam em outra. Além disso, mecanismos de vigilância imunológica eliminam rapidamente células anormais que tentam se proliferar. Casos raros de transmissão acidental de câncer em humanos ocorrem apenas em situações extremas, como transplantes de órgãos ou durante a gestação, mas não são considerados transmissão natural.

Implicações para a pesquisa científica

O estudo dos cânceres transmissíveis em animais oferece uma janela única para entender como os tumores evoluem e como o sistema imunológico pode falhar. Segundo o estudo, essas observações podem elucidar a evolução dos tumores e sua interação com o sistema imunológico, fornecendo insights para o desenvolvimento de novas terapias contra o câncer. Compreender por que alguns animais são vulneráveis ajuda os cientistas a desvendar os mecanismos de defesa que protegem os humanos.

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