O consumo regular de café pode estar associado a um microbioma intestinal mais diverso, de acordo com a especialista em nutrição e microbiota, Dra. Mariana Castro. Em entrevista recente, a médica destacou que a bebida, amplamente consumida no Brasil, vai além do efeito estimulante e pode trazer benefícios significativos para a saúde intestinal.
O que a ciência diz sobre o café e o intestino
Estudos observacionais têm mostrado que pessoas que consomem café diariamente apresentam uma maior variedade de bactérias benéficas no intestino em comparação com aquelas que não consomem. A diversidade microbiana é considerada um marcador de saúde intestinal, influenciando desde a digestão até o sistema imunológico.
Dra. Mariana explica que o café é rico em compostos bioativos, como polifenóis e ácidos clorogênicos, que atuam como prebióticos, alimentando as bactérias boas do intestino. "Esses compostos estimulam o crescimento de microrganismos benéficos, como Bifidobacterium e Lactobacillus, que são fundamentais para o equilíbrio da flora intestinal", afirma a especialista.
Impacto na saúde geral
Um microbioma diversificado está associado a uma série de benefícios, incluindo melhor digestão, absorção de nutrientes, regulação do humor e fortalecimento do sistema imunológico. Além disso, a diversidade bacteriana pode reduzir o risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças inflamatórias intestinais.
Segundo um estudo publicado no periódico Nature Microbiology, que analisou mais de 5.000 participantes, aqueles que consumiam pelo menos três xícaras de café por dia apresentavam uma diversidade microbiana significativamente maior. O estudo também identificou que o efeito era dose-dependente, ou seja, quanto maior o consumo, maior a diversidade observada.
Como o café age no intestino
O café estimula a produção de ácido gástrico e a motilidade intestinal, o que pode facilitar a digestão e o trânsito intestinal. Além disso, os polifenóis presentes na bebida são metabolizados pelas bactérias intestinais, gerando metabólitos benéficos, como ácidos graxos de cadeia curta, que têm efeito anti-inflamatório e protegem a barreira intestinal.
"O café não é apenas uma bebida, mas um alimento funcional que pode contribuir para a saúde intestinal", destaca Dra. Mariana. Ela ressalta, no entanto, que a moderação é importante, pois o excesso de cafeína pode causar efeitos adversos, como insônia e irritabilidade.
Recomendações práticas
Para obter os benefícios do café para o microbioma, a especialista recomenda o consumo de duas a três xícaras por dia, preferencialmente sem açúcar ou com adoçantes naturais. A forma de preparo também influencia: o café coado retém mais compostos bioativos do que o solúvel, por exemplo.
"O importante é incluir o café em uma dieta equilibrada, rica em fibras e alimentos fermentados, que também favorecem a diversidade microbiana", orienta. Ela alerta que pessoas com sensibilidade à cafeína ou condições como gastrite devem consultar um profissional de saúde antes de aumentar o consumo.
Perspectivas futuras
Os pesquisadores agora investigam se os benefícios do café para o microbioma podem ser utilizados em estratégias terapêuticas para doenças intestinais. Estudos clínicos estão em andamento para avaliar o impacto do consumo de café em pacientes com síndrome do intestino irritável e doença de Crohn.
Dra. Mariana conclui: "A relação entre café e microbioma é promissora, mas ainda precisamos de mais estudos para entender completamente os mecanismos envolvidos. No entanto, os dados atuais reforçam que o café, consumido com moderação, pode ser um aliado da saúde intestinal."



