Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (7) aos 95 anos em São Paulo, vítima de complicações de insuficiência renal crônica. O dramaturgo, conhecido por novelas como Pantanal (1990), O Rei do Gado (1996) e Terra Nostra (1999), era também um apaixonado torcedor do São Paulo Futebol Clube, como lembrou o filho Ruy Maurício Barbosa durante o velório.
Paixão pelo futebol e jornalismo esportivo
Segundo Ruy Maurício, o pai vivia o futebol de forma intensa e passional: "Ele era mais são-paulino do que torcedor da seleção. Ficava bravo, xingava. Era extremamente passional, emocionado". Antes de se consagrar como novelista, Benedito trabalhou como jornalista esportivo e escreveu o livro "Eu sou Pelé", publicado em 1961. O filho revelou que, por muito tempo, duvidou de uma história contada pelo pai: a de que ele foi o único jornalista presente na Vila Belmiro no dia em que Pelé chegou ao Santos para o primeiro treino. "Eu sempre achei que aquilo era mentira. Até que um dia encontrei o Álvaro José, que me contou a mesma história, do ponto de vista do pai dele, que era editor do jornal em que meu pai trabalhava. Liguei para ele e pedi desculpas", afirmou.
Trajetória na televisão
Benedito Ruy Barbosa nasceu em Gália, interior de São Paulo, em 1931, e passou a infância em Vera Cruz, região de cafezais com imigrantes japoneses e italianos. Com a morte precoce do pai, trabalhou como auxiliar comercial, vendedor de verduras e faxineiro antes de se tornar revisor no jornal "Estado de S. Paulo". Seu primeiro romance, "Fogo Frio", foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. A estreia na TV ocorreu em 1966, com "Somos Todos Irmãos", na TV Tupi. Em 1971, escreveu "Meu Pedacinho de Chão", em parceria com a TV Cultura e a Globo. Em 1979, adaptou "Cabocla" na Globo. Em 1990, na TV Manchete, lançou "Pantanal", inovando com locações externas e exploração do bioma. De volta à Globo, escreveu "Renascer" (1993), "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999). Suas obras foram refilmadas pelo neto Bruno Luperi. Em 2016, escreveu "Velho Chico", sua última novela.
Legado e definição de novela
Benedito definia suas novelas como histórias de amor: "Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor". Seu legado inclui tramas marcadas por protagonistas de "bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos", como ele mesmo dizia.



