A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a crescente utilização de deepfakes de celebridades e médicos para promover a venda de medicamentos e suplementos alimentares nas redes sociais. A prática enganosa utiliza inteligência artificial para criar vídeos e imagens falsas que simulam o endosso de figuras públicas, como o médico Drauzio Varella e a atriz Fernanda Montenegro, com o objetivo de ludibriar consumidores.
Fraude digital: 76% dos anúncios analisados são golpes
Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisou anúncios de medicamentos e suplementos veiculados em plataformas digitais e constatou que 76% deles eram fraudulentos. A pesquisa revelou que os golpistas utilizam técnicas sofisticadas de edição de vídeo e áudio para criar conteúdos que parecem autênticos, muitas vezes associando falsamente produtos a profissionais de saúde renomados ou artistas conhecidos.
“Esses anúncios enganosos podem levar o consumidor a adquirir produtos sem registro na Anvisa, colocando em risco a saúde”, afirmou a agência em nota oficial. A Anvisa reforça que medicamentos e suplementos só podem ser comercializados por farmácias e drogarias autorizadas, sendo proibida a venda em redes sociais ou sites não oficiais.
Riscos à saúde e consequências legais
O uso de deepfakes para promover produtos clandestinos representa um grave risco à saúde pública, pois muitos desses itens não passam por controle de qualidade, podem conter substâncias proibidas ou em dosagens inadequadas. A Anvisa alerta que consumidores que adquirem esses produtos estão sujeitos a reações adversas, intoxicações e até mesmo agravamento de condições de saúde.
Além disso, a prática configura crime de falsificação de documento e estelionato, podendo resultar em penalidades legais para os responsáveis. A agência orienta que, ao se deparar com anúncios suspeitos, o cidadão denuncie por meio dos canais oficiais, como o Sistema de Notificações da Anvisa (Notivisa).
Como se proteger: dicas da Anvisa
Para evitar cair em golpes, a Anvisa recomenda: verificar sempre se o site de venda é de uma farmácia autorizada; desconfiar de ofertas milagrosas ou com descontos exagerados; buscar informações sobre o produto no site da agência; e nunca fornecer dados pessoais ou financeiros em páginas não oficiais. A agência também destaca que celebridades e médicos não fazem propaganda de medicamentos nas redes sociais de forma direta.
“A população deve estar atenta: se um anúncio parece bom demais para ser verdade, provavelmente é golpe”, conclui a nota. A Anvisa continuará monitorando as plataformas digitais e adotando medidas para coibir essas práticas ilegais.



