A Prefeitura de Santos e a Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados (ACOPI) estão em busca de uma solução para corrigir a inclinação de 65 prédios localizados na orla da cidade. Em reunião realizada no fim de março com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi apresentada a sugestão de criar uma nova modalidade de financiamento para viabilizar as obras de reaprumo.
Pela proposta, o BNDES permitiria que o financiamento chegasse diretamente aos moradores, com a Prefeitura de Santos atuando como terceiro garantidor. O prefeito Rogério Santos (Republicanos) destacou que o banco ainda não possui um modelo específico para financiamento de áreas particulares por intermediação pública. O BNDES informou que aguarda a apresentação formal de projetos pela prefeitura.
A inclinação dos prédios está relacionada às características do solo de Santos e às técnicas de fundação utilizadas entre as décadas de 1950 e 1980. Segundo o engenheiro Paulo Pimenta, contratado para elaborar novos estudos em quatro prédios da orla, a área possui uma camada de areia de cerca de 10 metros, seguida por argila marinha muito mole, que se deforma sob peso. As construções antigas não atingiam as camadas mais profundas de solo residual e rocha, localizadas a aproximadamente 60 metros.
Um exemplo de correção bem-sucedida é o edifício Núncio Malzoni, que apresentava inclinação de 2,2° em um bloco e 1,8° em outro. A obra, realizada nos anos 2000 com recursos próprios dos moradores, envolveu erguer o prédio com macacos hidráulicos e executar uma nova fundação. O processo foi acompanhado por engenheiros, incluindo Paulo Pimenta, que agora busca soluções para outros edifícios.
Atualmente, 319 prédios em Santos apresentam algum grau de inclinação. Embora não haja risco imediato aos moradores, não há garantias de estabilidade a longo prazo. O plano inédito, que pode transformar a orla em um grande canteiro de obras, depende da aprovação do BNDES e da formalização dos projetos pela prefeitura.



