O presidente da Câmara de Sarutaiá, Rodrigo Fuloni (Republicanos), assumiu nesta terça-feira (4) o comando da Prefeitura de forma interina. A medida foi tomada após a cassação dos mandatos do prefeito João Antônio Fuloni (Republicanos) e do vice Alessandro José de Lova (Republicanos), ambos condenados por compra de votos nas eleições de 2024. A decisão foi oficializada pela Câmara na segunda-feira (3), com publicação no Diário Oficial.
Continuidade administrativa e serviços essenciais
De acordo com o documento, Rodrigo Fuloni, irmão do prefeito cassado, assume o cargo para garantir a continuidade administrativa e o funcionamento dos serviços públicos essenciais no município. Ainda segundo a publicação, ele permanecerá no cargo até a posse dos novos representantes eleitos ou diplomados.
Em nota ao g1, a Câmara informou que o vice-presidente, Carlos Fabiano Gasperoni Riato (Podemos), assumirá a presidência da Casa Legislativa. A decisão foi notificada em 29 de julho deste ano, e a Câmara tomou as providências indicadas.
Prefeitura e defesas se manifestam
A Prefeitura de Sarutaiá informou que não irá se manifestar sobre o caso e aguarda uma reunião com o novo chefe do Executivo para formalizar um comunicado oficial.
A defesa de Alessandro José de Lova afirmou que a cassação não é uma decisão final e que buscará recorrer aos tribunais superiores. Segundo a defesa, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) reconheceu que não houve provas de participação, anuência ou conhecimento dos fatos por parte do vice. O g1 não conseguiu contato com a defesa de João Antônio Fuloni.
Relembre o caso
Em junho do último ano, a Justiça Eleitoral determinou a cassação dos mandatos por abuso de poder político e compra de votos. Em 16 de maio deste ano, o TRE-SP manteve a cassação, mas retirou a pena de inelegibilidade de oito anos. O prefeito foi condenado a pagar multa de R$ 45 mil.
Segundo a sentença da 234ª zona eleitoral de Fartura, da juíza Roberta de Oliveira Ferreira Lima, áudios enviados por aplicativos de mensagens e depoimentos de testemunhas comprovaram que os investigados compraram pelo menos 10 votos durante a campanha. O Ministério Público Eleitoral (MPE) moveu a ação, acusando o prefeito de compra de votos com ajuda de um apoiador, Adriano Alves. João Fuloni teria oferecido R$ 400 a uma eleitora em troca do voto, e Adriano enviou áudios por WhatsApp pedindo votos.
O relator do processo, desembargador Roberto Maia, considerou as provas "robustas". "Há elementos que revelam a anuência do candidato a prefeito em relação à compra de votos, que o Adriano era apoiador dele, participou da campanha, isso é inequívoco", afirmou.
Na época, prefeito e vice permaneceram nos cargos, pois ainda cabia recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O afastamento ocorreu após o cumprimento da decisão do TRE-SP, que determinou a vacância dos cargos.



