O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação sobre as agressões com arma de choque contra um homem em situação de rua em Belém, ocorridas na segunda-feira (13). Dois estudantes de Direito de uma faculdade particular são suspeitos de envolvimento.
De acordo com o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Sadi Machado, a situação é grave e demonstra violências como racismo, capacitismo e aporofobia. Os suspeitos, identificados como Altemar Sarmento Filho e Antônio Coelho, compareceram à delegacia na terça-feira (14), mas permaneceram em silêncio durante o depoimento e foram liberados.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram os estudantes se aproximando da vítima e aplicando descargas elétricas em pelo menos duas ocasiões, enquanto riem. A faculdade informou que os dois foram afastados do curso de Direito.
A defesa de Antônio Coelho afirmou que não tinha conhecimento da suposta participação dele no caso. Já Altemar Sarmento Filho foi acompanhado por advogados e usou um paletó para cobrir o rosto. O advogado dele disse que vai aguardar a perícia dos vídeos e a conclusão do inquérito policial, e que a arma de eletrochoque não seria letal por estar danificada.
A Polícia Civil informou que um boletim de ocorrência foi registrado e um inquérito instaurado. O dispositivo de choque foi apreendido e passará por perícia. Uma moradora da região relatou que as agressões contra a mesma vítima eram constantes, mas não há confirmação de quem as cometia anteriormente.
O caso gerou revolta nas redes sociais e provocou reações do MPF e de uma deputada estadual na Assembleia Legislativa do Pará, que cobram providências. A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias das agressões e se os suspeitos estiveram envolvidos em outros episódios semelhantes.



