Moradores da Região Metropolitana de São Luís estão preocupados com o aumento da população de caramujos africanos em suas residências. A espécie, trazida ilegalmente da África no início dos anos 1980 para ser consumida como escargot, não teve boa aceitação e foi descartada, mas se adaptou bem ao clima brasileiro e se reproduz rapidamente devido à fartura de alimentos e à falta de predadores naturais.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os caramujos africanos estão presentes em quase todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, com exceção do Rio Grande do Sul. A especialista em moluscos do Instituto Oswaldo Cruz, Silvana Thiengo, destaca que a espécie é muito urbana, ocupando praças, jardins e hortas, o que aumenta a proximidade com as pessoas.
Durante o período chuvoso, os caramujos invadem residências próximas à praia, infestando muros e plantas. Bairros como Ponta d'Areia, Olho d'Água, Quintas do Calhau e Vinhais, em São Luís, já registram a praga. Moradores relatam medo de contaminação, especialmente por doenças que os moluscos podem transmitir, como a meningite eosinofílica, que pode ser fatal.
O biólogo Kleyton Coelho orienta que os caramujos nunca devem ser tocados diretamente. O manuseio deve ser feito com luvas ou sacos, e a eliminação pode ser feita com sal, cal ou incineração. O perigo está no muco do animal, que contém parasitas capazes de causar infecções graves. Dados da Fiocruz indicam 40 casos de meningite eosinofílica no Brasil desde 2006, com pelo menos uma morte em Pernambuco em 2010.
Além do risco direto, os cascos dos caramujos mortos acumulam água parada, tornando-se criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika. A União Internacional para Conservação da Natureza classifica espécies invasoras como a segunda maior ameaça à biodiversidade global.



