Inteligência artificial muda rumo da investigação do Caso Aguiar no RS
Inteligência artificial muda rumo da investigação do Caso Aguiar no RS

O uso de inteligência artificial (IA) para criar uma voz falsa foi fundamental para o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) reconstruir o caminho que, segundo a acusação, levou à morte de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As vítimas são Silvana de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, desaparecidos desde 24 e 25 de janeiro.

De acordo com a acusação, a tecnologia foi usada para simular que uma das vítimas estava viva, sustentar uma farsa sobre seu desaparecimento e atrair seus pais, que também foram mortos. A descoberta da voz simulada foi cruzada com outros materiais digitais, como textos em celulares, dados em nuvem e geolocalização, segundo o promotor de Justiça Caio Isola de Aro.

O conjunto de provas levou o MP a denunciar Milena Ruppental Domingues como corré nos crimes, embora a Polícia Civil não a tenha indiciado pelas mortes. São réus também Cristiano Domingues Francisco, PM e ex-marido de Silvana, e Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano.

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Para a acusação, a voz falsa foi usada para reforçar a versão de um acidente e fazer contato com os pais de Silvana, atraindo-os para a morte. O promotor destaca que a IA não foi uma prova isolada, mas parte de um conjunto que permitiu ao MP fazer nova análise jurídica sobre o material coletado.

O caso expõe um novo desafio para as investigações. Para o delegado Cristiano Ribeiro Ritta, especialista em investigação criminal, a IA qualifica a ação de criminosos. Ele explica que a análise de um áudio suspeito não pode depender apenas da escuta, pois a qualidade das ferramentas de IA torna cada vez mais difícil identificar uma falsificação apenas pela percepção humana.

O professor Ricardo Jacobsen Gloeckner, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Penais da PUCRS, afirma que o caso mostra como a IA pode alterar a execução de crimes graves, não apenas golpes financeiros. Ele diz que a ampla disponibilidade de ferramentas digitais torna a clonagem de voz um risco que não se limita a pessoas famosas.

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