O estado de São Paulo registrou, no ano passado, uma queda de 3,9% na taxa de mortes violentas intencionais (MVI) em comparação com o período anterior, atingindo 7,8 por cem mil habitantes, menos da metade da média nacional (19,1). No entanto, a sensação de insegurança persiste devido ao elevado número de roubos e furtos, especialmente de celulares, que se concentram em regiões nobres e no centro da capital.
Onde ocorrem mais roubos e furtos de celular em São Paulo?
Segundo o Radar da Criminalidade do Estadão, as áreas com maior incidência de roubos e furtos incluem Perdizes, Pinheiros, Jardins, Barra Funda, Morumbi e o centro da cidade. A capital paulista responde por 20% de todos os crimes desse tipo no Brasil, embora concentre apenas 5,6% da população nacional, conforme o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O coronel Carlos Henrique Lucena, coordenador geral do Centro Integrado de Comando e Controle da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo, explica que a pasta adota um plano de policiamento inteligente, baseado em estatísticas criminais e na alocação de efetivos onde há maior incidência. “A cada grau de risco, um nível de resposta”, afirma. Ele cita as Reuniões de Análise Crítica (RACs), que mapeiam bairros, setores e até ruas, permitindo ações como a Operação Bloqueio e o programa Muralha Paulista, de monitoramento por câmeras.
Queda de homicídios: mérito das forças de segurança ou domínio do PCC?
Pesquisadores atribuem a redução histórica de assassinatos em São Paulo à hegemonia do Primeiro Comando da Capital (PCC), que monopoliza o tráfico de drogas em quase todo o estado, exceto em áreas do litoral norte e Rio Claro, onde há conflitos com o Comando Vermelho. “Onde não há disputa, reduzem-se os assassinatos”, diz Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ela também destaca que as políticas públicas paulistas focadas na proteção de adolescentes, principais autores e vítimas da violência letal, contribuíram para o cenário.
O coronel Lucena rebate a tese: “É uma enorme falácia. A queda corresponde às forças integradas das forças de segurança, é mérito das forças de segurança”. Ele ressalta que a taxa de homicídios caiu de 40 por cem mil para um dígito ao longo da série histórica, e cita ações conjuntas como a da Cracolândia como exemplo de sinergia entre órgãos estaduais.
Celulares recuperados e combate a golpes digitais
Apesar da redução nos roubos de celular, o prejuízo para as vítimas é cada vez maior, pois os bandidos usam os aparelhos para fazer transferências via Pix e aplicar golpes. A SSP implementou o programa SP Mobile, que já recuperou mais de 85,2 mil celulares desde 2023, dos quais cerca de 50 mil foram devolvidos aos donos. “A quebra da cadeia logística faz a diferença”, afirma Lucena, referindo-se ao combate à receptação.
O estado também enfrenta o avanço dos estelionatos, que bateram recorde no Brasil em 2025. Em São Paulo, a taxa é de 1.809 por cem mil habitantes, alta de 2% em relação a 2024. A Polícia Civil possui uma delegacia especializada em crimes digitais, que desarticulou recentemente uma central de golpes que se passava por advogados. Lucena destaca que, com a redução do crime violento, há uma migração para delitos sem risco à vida, mas que também exigem combate especializado.
Efetivo policial e especialização no combate a fraudes
Sobre as críticas de que o efetivo dedicado a golpes no Deic é pequeno, Lucena não informou números exatos, mas garantiu que há aporte tecnológico, logístico e humano. “Temos centrais totalmente desarticuladas”, disse, citando a operação da semana passada. Ele reforçou a importância do Disque-Denúncia como interface com a população.
O coronel também destacou que, das 10 cidades mais seguras do Brasil, sete estão em São Paulo, e nenhuma das mais violentas é paulista. Ele atribuiu os bons resultados ao trabalho integrado das polícias Militar, Civil e Técnico-Científica, além de políticas sociais de habitação, cultura e saúde.



