A combinação entre aquecimento global e variabilidade natural do clima deve empurrar a Terra para um novo patamar de temperaturas nos próximos anos, com possibilidade de recordes inéditos já em 2027. Relatório recente da Organização Meteorológica Mundial afirma que o sistema climático global está “mais fora de equilíbrio do que em qualquer momento da história observada”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o cenário como um “estado de emergência climática”, com todos os principais sinais — temperatura, concentração de gases de efeito estufa e aquecimento dos oceanos — apontando para deterioração simultânea. O risco crescente decorre da sobreposição de dois fenômenos distintos: o aquecimento estrutural causado pela ação humana e a expectativa de um novo episódio do El Niño a partir do segundo semestre de 2026.
A combinação desses fatores é vista por cientistas como um “duplo gatilho” para extremos climáticos. Eventos recentes indicam que essa intensificação já está em curso. Em março de 2026, uma onda de calor considerada excepcional atingiu amplas regiões do oeste e do centro dos Estados Unidos, com temperaturas típicas de verão registradas ainda no fim do inverno. Análise do consórcio World Weather Attribution concluiu que o evento teria sido “virtualmente impossível” sem a influência das mudanças climáticas causadas pelo homem.
No centro da preocupação científica está o chamado desequilíbrio energético da Terra. A concentração crescente de gases de efeito estufa reduz a dissipação de calor, fazendo com que mais energia permaneça retida no sistema climático. O resultado é acúmulo contínuo de calor, especialmente nos oceanos, que atingiram níveis recordes de aquecimento, e derretimento acelerado de geleiras e calotas polares. Dados consolidados indicam que, em 2024, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu o maior nível em cerca de 2 milhões de anos.
A expectativa de cientistas e organismos internacionais é que os efeitos combinados do aquecimento estrutural e do El Niño se tornem mais evidentes entre 2026 e 2027, com calor extremo mais frequente, secas prolongadas, chuvas intensas e aumento de incêndios florestais. Para especialistas, o momento atual marca uma transição crítica: o mundo deixa de lidar com projeções futuras e passa a enfrentar, no presente, os efeitos combinados de um sistema climático já alterado e cada vez mais instável.



