O prefeito de Guariba (SP), Francisco Dias Mançano Junior, comparou a destruição causada pelo temporal da última sexta-feira (24) a um terremoto. Em entrevista, ele afirmou que aproximadamente 60% a 70% das casas do município foram danificadas. A cidade de 37,4 mil habitantes enfrenta um cenário de colapso, sem condições técnicas e financeiras de se reerguer sozinha.
Destruição generalizada
Segundo o prefeito, os ventos chegaram a 120 km/h e a chuva acumulou 100 milímetros em apenas quatro horas. O resultado foi uma destruição que ele descreveu como equivalente a um terremoto. "Parece que eu estou sonhando. Uma hora eu vou acordar e vou ver que isso não é verdade, mas é verdade. Guardadas as proporções, parece que teve um terremoto em Guariba. Não houve um terremoto lá, mas a destruição foi equivalente", disse.
Além das casas, o parque industrial foi destruído. Um galpão do agronegócio não ficou de pé. "Todo local que havia uma quadra coberta foi embora. Está retorcido. Nós tínhamos um grande galpão do agronegócio, não sobrou nada, mas nada mesmo", lamentou. A tempestade deixou 99% da cidade sem energia elétrica e com problemas de abastecimento. No fim de semana, 80% dos imóveis ainda não tinham luz, conforme o governo estadual.
Reconstrução e ajuda federal
Guariba é uma das seis cidades da região de Ribeirão Preto que terão reconhecimento sumário de estado de emergência pela União, agilizando a liberação de verbas para ajuda humanitária, restabelecimento de serviços e reconstrução. As outras cidades são Dumont, Pradópolis, Taquaritinga, Barrinha e Ribeirão Preto. Além do apoio federal, o governo de São Paulo enviou mantimentos, equipes da Defesa Civil e prometeu liberar verbas para obras.
A prefeitura improvisou abrigos e uma cozinha industrial para atender os moradores que perderam tudo. As aulas na rede municipal foram suspensas de 27 a 29 de julho. A estimativa inicial é de que a reconstrução custe R$ 50 milhões. "O que eu vou precisar de apoio e de assessoria além de recurso financeiro, é uma assessoria técnica para me ajudar a reconstruir a cidade. Porque eu não sei por onde começo", afirmou Mançano Junior.
Impacto em outras cidades
O prefeito de Dumont, Rogerson Aparecido Burjalon Ruiz, também descreveu um cenário de guerra. "Dumont não é diferente das outras, também acordamos na sexta-feira com um cenário de guerra", disse. Já o prefeito de Taquaritinga, Fulvio Zuppani, destacou que cidades de pequeno e médio porte não estão preparadas para eventos extremos. Ele montou um abrigo para cerca de 200 moradores e relatou perdas de equipamentos públicos, como uma creche que seria inaugurada e o telhado de uma escola que voou e destruiu residências em dois quarteirões vizinhos. "Nós precisamos de ajuda técnica. Nós precisamos começar a andar economicamente", apelou Zuppani.
Perspectivas futuras
O prefeito de Guariba ressaltou que a cidade não conseguirá construir nada nos próximos anos. "A minha cidade nos próximos dois anos e meio de mandato meu, e provavelmente nos próximos dois anos de mandato ou três de mim ou de outro prefeito, não vai construir nada. Nós vamos ter só que reconstruir", lamentou. O temporal deixou uma marca profunda na região, com danos que exigirão esforços coordenados e recursos substanciais para superação.



