A Polícia Civil concluiu e encaminhou ao Ministério Público o inquérito que investiga o desaparecimento da família Aguiar, ocorrido em janeiro deste ano. Silvana de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, estão sumidos há mais de 80 dias. O principal suspeito, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, está preso preventivamente.
Mesmo sem a localização dos corpos, os investigadores afirmam ter provas suficientes para indiciar Cristiano por feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa. A soma das penas máximas para esses crimes chega a 102 anos de reclusão. Caberá ao MP decidir se oferecerá denúncia ao Judiciário.
Segundo a polícia, Silvana foi morta entre a noite e a madrugada de 24 de janeiro em sua casa. Câmeras de monitoramento flagraram movimentações suspeitas de veículos. Um Volkswagen Fox vermelho, vinculado a Cristiano, esteve na residência entre 20h33 e 20h41, momento em que um celular associado a ele se conectou ao wi-fi da casa. Mais tarde, às 21h28, um Ford Ka branco de propriedade de Silvana entrou no local e não saiu mais. O Fox vermelho retornou às 23h32 e saiu às 23h45, quando os celulares de ambos se desconectaram da rede.
As investigações apontam que Cristiano teria usado inteligência artificial para simular a voz de Silvana e atrair o pai dela, Isail, para a casa dela. O idoso chegou às 16h28 do dia 25 de janeiro e, minutos depois, apenas Cristiano deixou o local. Em seguida, o suspeito teria novamente usado voz simulada para entrar na casa dos pais de Silvana, onde encontrou Dalmira. O casal não foi visto desde então.
Além de Cristiano, outras cinco pessoas foram indiciadas: a atual esposa do PM, o irmão dele, a mãe e a sogra do PM, e um amigo. Eles respondem por crimes como fraude processual, ocultação de cadáver e associação criminosa. A polícia afirma que não há indícios de participação desses suspeitos antes dos assassinatos, mas que agiram para tentar isentar Cristiano das suspeitas.
A motivação do crime, segundo a polícia, seria a disputa pela guarda do filho do PM com Silvana e questões financeiras envolvendo o patrimônio da família Aguiar. O inquérito tem 20 mil páginas, com depoimentos, diligências e quebras de sigilo, totalizando mais de 10 TB de documentos. Foram apreendidos 16 celulares, 17 nuvens de documentos, cinco DVRs, 13 pendrives, cinco computadores e quatro HDs. Houve cinco prisões, 14 mandados de busca e apreensão e 37 quebras de sigilo.



