Famílias desabrigadas pelo tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, enfrentam angústia e incerteza sobre quando poderão retornar para casa. Quarenta pessoas estão abrigadas em Laranjeiras do Sul, cidade vizinha a 18 km de distância, enquanto outras mil estão provisoriamente na casa de parentes ou amigos.
Neste domingo (9), com tempo ensolarado, alguns moradores puderam voltar ao município atingido na tarde de sexta-feira (7). O morador Paulo Oidella, de 54 anos, que vive em Rio Bonito desde 1988, relatou a tristeza ao ver os estragos. Ele está no abrigo com os filhos Marcos Paulo, 19, e Adriano, 16. O filho mais velho chegou ao abrigo apenas neste domingo, após ficar internado com ferimentos no pé em um hospital de Laranjeiras do Sul.
Desde sexta-feira, os serviços médicos da região atenderam 835 pessoas. Neste domingo, mais de 30 permaneciam internadas, sendo quatro em UTI. Cinco das seis vítimas fatais da tempestade no Paraná viviam em Rio Bonito. Os corpos de quatro delas foram velados no salão paroquial da Igreja São Sebastião, no distrito de Campo do Bugre, que não foi atingido.
O Simepar registrou ventos de até 250 km/h em Rio Bonito às 18h10 de sexta, classificando o tornado como nível 3 na escala Fujita. Meteorologistas analisam a possibilidade de outros tornados terem ocorrido no estado, inclusive na zona rural de Guarapuava, onde morava a sexta vítima.
O aposentado Alcides de Oliveira, 76, morador de Rio Bonito há apenas três meses, contou que foi arrastado pelo tornado e jogado a dez metros, caindo em um buraco. Ele foi socorrido pelo genro e está no abrigo, sem casa para voltar. A Defesa Civil estima que quase 90% da cidade foi destruída. Cerca de 200 engenheiros da Cohapar e do Crea-PR começaram neste domingo a avaliar os prejuízos e a condição estrutural das construções.
Duas escolas estaduais foram danificadas e passarão por vistoria. A cidade não pôde realizar o primeiro dia do Enem, que será reaplicado nos dias 16 e 17 de dezembro. As sete escolas estaduais do município não terão aulas nesta segunda-feira (10). O coordenador da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, afirmou que a cidade deve estar limpa em dois ou três dias, com mais de 30 equipamentos cedidos para remoção de entulhos.



