Nos últimos dias, moradores da região Sul do Brasil, especialmente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enfrentam prejuízos após a passagem de um ciclone extratropical, conhecido como 'ciclone bomba'. O fenômeno já se deslocou para o oceano, mas ainda pode causar ventos fortes desde o sul do Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro, além de queda nas temperaturas até o fim de semana.
Meteorologistas explicam que a força do ciclone foi determinada pelo grande contraste entre as massas de ar quente e fria. Francisco de Assis, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), afirmou que o sistema se formou a partir de uma massa de ar quente próxima ao Mato Grosso do Sul e Paraguai, combinada com ar frio vindo do norte da Argentina. A queda de pressão intensa aumentou a força da alta pressão da massa fria.
Os efeitos do fenômeno devem ser mais leves nos próximos dias, mas ainda causarão instabilidade climática. Áreas litorâneas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul terão ventos fortes e mar agitado. Há possibilidade de neve nas serras gaúchas, pois a instabilidade inicial gera nuvens e chuva intensa, seguida por queda de temperatura e redução da precipitação.
Meteorologistas afirmam que é comum a formação de tornados menores durante ciclones como este. O furacão Catarina, em 2004, que atingiu mais de 30 mil casas e matou 11 pessoas no Sul, também era um ciclone extratropical. A diferença foi que o Catarina encontrou ar quente no oceano, ganhou energia e retornou ao continente, enquanto o atual perde força sobre o mar.
O ciclone bomba não causa turbulências em aviões, pois atinge no máximo 5 mil metros de altitude, enquanto aeronaves voam acima de 10 mil metros. A formação desses ciclones depende do encontro de massas de ar quente e fria, e a intensidade é determinada pelo contraste entre elas. O especialista do Inmet prevê que fenômeno similar pode ocorrer ainda neste mês, mas não necessariamente com a mesma força.



