Candidata negra aprovada no Itamaraty pode perder cargo após contestação de autodeclaração racial
Candidata negra aprovada no Itamaraty pode perder cargo após contestação de autodeclaração racial

Flávia Medeiros, de 29 anos, aprovada no concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty, corre o risco de ser exonerada após ter sua autodeclaração racial contestada pela banca de heteroidentificação. A candidata, que se mudou para Brasília e pediu demissão do emprego anterior, vive em incerteza enquanto aguarda o desfecho judicial.

A banca, conduzida pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), argumentou que Flávia possui 'pele clara, cabelos lisos e traços finos', características consideradas incompatíveis com sua autodeclaração como negra. Apesar de uma decisão judicial inicial ter permitido sua posse, um juiz posteriormente reverteu o entendimento.

A defesa de Flávia apresentou fotos de infância e comprovou que ela ingressou na universidade por meio de cotas raciais, buscando demonstrar sua identidade racial. O caso dela se assemelha ao de Iure Marques, outro candidato que tomou posse sub judice na Advocacia-Geral da União e aguarda julgamento definitivo, previsto para o próximo dia 27.

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A professora Kelly Quirino, da Universidade Católica de Brasília, pesquisadora de relações étnico-raciais, destaca a importância do letramento racial e das bancas de heteroidentificação como conquistas do movimento negro, embora reconheça a ocorrência de erros. Ela afirma que as bancas garantem mais aprovações do que reprovações de pessoas negras.

Flávia Medeiros expressou medo diante da situação: 'O mais difícil é viver sem saber qual será o desfecho disso tudo'. O Cebraspe informou que os questionamentos da candidata são tratados exclusivamente nos autos do processo judicial.

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