O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou nesta quarta-feira que enviará perguntas por escrito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma reunião fora da agenda oficial com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O encontro ocorreu em dezembro de 2024, intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, e não consta nos registros oficiais da Presidência nem nos controles do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Renan também informou que a comissão criada para acompanhar as investigações do caso convidará o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para prestar esclarecimentos. Integrantes do colegiado participarão de uma visita ao BC ainda nesta tarde para uma reunião com Galípolo. 'Um presidente do Banco Central já saiu do Congresso Nacional preso, o Chico Lopes. É evidente que nós não queremos que isso volte a acontecer, mas o presidente Galípolo, com quem temos o melhor relacionamento, precisa ajudar a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado a destrinchar o que houve', afirmou o senador.
Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que Vorcaro esteve no Palácio do Planalto em outras três ocasiões entre 2023 e 2024, sem registro nas agendas oficiais. O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, também visitou o local em novembro de 2024, igualmente fora dos registros públicos. O Palácio do Planalto afirmou que Daniel e Henrique Vorcaro não foram recebidos no gabinete do presidente Lula ou por ministros nas datas das visitas registradas pelo GSI, e que à época não havia denúncias formais de irregularidades contra os controladores do banco.
A iniciativa de Renan ocorre no dia em que a CAE instala uma comissão para acompanhar as investigações sobre o Banco Master, que teve a liquidação decretada pelo BC em novembro de 2025. O colegiado pretende requisitar documentos, inclusive sigilosos, a órgãos como Polícia Federal, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Tribunal de Contas da União (TCU).



