Em uma terra onde o chimarrão é patrimônio afetivo, a cuia tradicional ganhou uma sobrevida inusitada. Nas redes sociais, a bebida símbolo do Rio Grande do Sul aparece agora em versões que ultrapassam um metro de altura, desafiando a gravidade e rendendo milhares de compartilhamentos. O fenômeno ficou conhecido como “chimarrão topetudo” e já virou disputa informal entre gaúchos dispostos a inovar.
A origem da tendência: vídeo de João Oscar ultrapassa 1 milhão de views
A brincadeira começou com o construtor e motorista João Oscar Nascimento, mais conhecido nas redes como Bruto do Sul, morador de Bom Retiro do Sul. Depois de assistir a vídeos semelhantes na internet, ele resolveu entrar na onda. João confessa que a intenção inicial era apenas “zoar” a tendência, mas o resultado tomou outra proporção. O vídeo mostrando o chimarrão gigante viralizou e, em cerca de 24 horas, ultrapassou 1 milhão de visualizações em seu perfil.
“Foi uma folia só”, resume João, que não esperava tamanha repercussão. O sucesso do registro despertou a curiosidade de outros gaúchos e, claro, provocou uma reação em cadeia: se um chimarrão de um metro já impressionava, alguém precisava ir além.
Desafio feminino: chimarrão de 1,56 metro em Passo Fundo
Como em toda boa disputa gaúcha, não demorou para surgir uma desafiante. Em Passo Fundo, a empresária e nanopigmentadora Francine Dal Castel Ferreira decidiu elevar a aposta. Acostumada ao universo do chimarrão desde a infância, graças à ligação da família com o comércio de artigos gaúchos, ela usou parte do estoque da própria loja para colocar a ideia em prática.
“Queria mostrar que a mulher gaúcha também pode superar”, conta. E superou: enquanto a versão de João alcançou cerca de 1 metro, a estrutura montada por Francine chegou a 1,56 metro, estabelecendo um recorde informal que impressionou seus seguidores.
Recorde e dificuldades: o chimarrão desabou três vezes
Mas o caminho até o recorde esteve longe de ser tranquilo. Foram cerca de 3 pacotes de erva-mate e um dia e meio de espera para ganhar firmeza. Nesse período, o chimarrão desabou três vezes. Caiu na mesa, caiu no fogão a lenha e até em cima de um gato. Em uma das tentativas frustradas, a erva se espalhou pela casa e acabou até no nariz da criadora.
“Se cair de novo, eu não monto mais”, pensou Francine antes da última tentativa. Foi justamente essa que deu certo e ficou registrada no vídeo que viralizou nas redes e hoje conta com um milhão de visualizações. A persistência virou piada entre os amigos, mas também virou exemplo de determinação.
Técnicas e mistérios: como manter o chimarrão em pé?
A montagem de João contou com a ajuda da família, que também deve participar das próximas experiências. Apesar da curiosidade do público, ele ainda faz mistério sobre a técnica utilizada para manter a estrutura em pé. A promessa é revelar tudo em um novo vídeo.
Já Francine conta que, para erguer a estrutura, adaptou um espaguete de piscina, cortado ao meio, e utilizou erva-mate úmida para dar sustentação ao conjunto. O resultado foi um chimarrão que mais parece uma escultura do que uma cuia pronta para a roda de mate. A engenharia caseira chamou atenção e rendeu elogios pela criatividade.
Paixão pelo chimarrão: hábito diário e declarações
Apesar dos chimarrões gigantes e dos vídeos que viralizaram, os dois têm algo em comum: o hábito de tomar mate diariamente. “Viciado”, resume João. Francine garante que o hábito também acompanha sua rotina. “Chimarrão é desde a hora que eu acordo até a hora que eu vou dormir. Tanto que as ervas que eu tenho são com chá”, revela.
A tendência do “chimarrão topetudo” mostra como uma tradição regional pode ganhar novas camadas com humor e criatividade. O que começou como uma brincadeira entre gaúchos virou febre nas redes e ainda deve render novos capítulos — e novas alturas.



