Bagre Fagundes morre aos 86 anos, autor do Canto Alegretense
Bagre Fagundes morre aos 86, autor do Canto Alegretense

O músico e tradicionalista Bagre Fagundes faleceu neste domingo (2), aos 86 anos, em Porto Alegre. Autor, ao lado do irmão Nico Fagundes, do emblemático "Canto Alegretense", ele deixa um vasto legado para a cultura do Rio Grande do Sul. A notícia foi confirmada pela família e gerou comoção em todo o estado.

Trajetória de vida e obra

Euclides Fagundes Filho, conhecido como Bagre, nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 3 de outubro de 1939. Filho de Euclides e Florentina Fagundes, a Mocita, cresceu em Alegrete, entre seis irmãos e cinco irmãs. O apelido "Bagre" surgiu na adolescência e o acompanhou por toda a vida.

Casado há 64 anos com Marlene Fagundes, teve quatro filhos: Neto, Ernesto, Luciana e Paulinho. O filho Neto Fagundes, comunicador, destacou o ensinamento paterno sobre a coletividade: "O grande legado que o meu pai deixa para todos nós é a coletividade, é entender que todo mundo é importante. Que aqui o cinegrafista, o repórter, quem está editando lá em cima, tudo é coletivo na vida".

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Carreira diversificada

Além de músico, Bagre foi advogado formado pela Universidade de Cruz Alta, vereador em Alegrete, jogador e árbitro de futebol. Na política, foi filiado ao PTB na época de Leonel Brizola e, posteriormente, ao PDT. Também presidiu o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF).

Nos anos 2000, assinou a coluna "Gauchesco & Brasileiro" no jornal Diário Gaúcho, onde escrevia sobre a cultura do estado. A música, porém, foi sua principal vocação. Ao lado do irmão Nico, compôs "Canto Alegretense", canção que projetou seu nome para além das fronteiras gaúchas.

Reconhecimento e homenagens

Bagre mantinha uma rotina ativa nos palcos, se apresentando com os filhos Ernesto, Neto e Paulinho no grupo Os Fagundes. Em 2013, a escola de samba Embaixadores do Ritmo levou ao Carnaval de Porto Alegre o enredo "Não Me Perguntes Onde Fica o Alegrete", inspirado na obra da família. Bagre gravou a versão oficial do samba-enredo com sua gaita-ponto e a família participou do desfile no Porto Seco.

Conhecido pelo bom humor, ao completar 80 anos afirmou que ainda não havia alcançado seu objetivo: "o de não fazer nada". Em 2019, recebeu uma homenagem da RBS TV no programa Galpão Crioulo, quando foi agraciado com o Troféu Origens.

Velório e repercussão

O velório ocorre nesta segunda-feira (3), das 10h às 16h, no Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Autoridades, entidades e artistas usaram as redes sociais para prestar homenagens.

O governador Eduardo Leite (PSD) publicou nota de pesar: "O Canto Alegretense é como se fosse um hino informal do nosso Rio Grande e todos cantam com o mesmo fervor que a gente canta o hino". O Sport Club Internacional dedicou a vitória de domingo ao artista, lembrando que Bagre foi conselheiro do clube entre 2001 e 2012. O grupo Os Serranos, que regravou a canção, lamentou: "Hoje nos despedimos de um artista, mas celebramos um legado que permanecerá vivo em cada acorde, em cada verso e em cada gaúcho que seguir cantando nossa identidade".

A sobrinha Mocita Fagundes relembrou o convívio familiar: "Vou guardar pra sempre a imagem dele com a sua gaitinha nas mãos, levando música por onde passava. Era um talento que encantava o Rio Grande, mas que, para nós, fazia parte das lembranças mais afetuosas da família". O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) declarou que "sua trajetória, sua obra e sua contribuição permanecerão vivas na memória e na cultura do Rio Grande do Sul". O humorista Jair Kobe, o Guri de Uruguaiana, afirmou ter recebido com "muita tristeza a notícia do falecimento de Bagre Fagundes, um dos grandes nomes da cultura gaúcha".

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