Plantas brotam em estrutura de concreto e viram atração em Sorocaba
Plantas brotam em concreto e viram atração em Sorocaba

Construída há quase 70 anos como a estrutura principal de uma igreja que nunca foi concluída, a 'Aranha do Vergueiro', localizada no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), ganhou novos habitantes nos últimos meses. Pequenas árvores desafiam o concreto e se integraram ao cenário da obra parada, que se tornou um cartão postal da cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo.

Jardim suspenso inesperado

Pelo menos quatro exemplares de espécies não identificadas formam uma espécie de jardim suspenso no topo da estrutura, que tem mais de 20 metros de altura. Na base, quatro meios-círculos com parte côncava acumulam matéria orgânica e poeira ao longo do tempo, criando condições para o crescimento das plantas.

Um vídeo gravado em 2024 já mostrava a protuberância e a resiliência das plantas. No início de junho deste ano, novas imagens registradas de um prédio vizinho confirmaram que elas continuam firmes e fortes.

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Como as plantas chegaram lá?

O biólogo e pesquisador da Universidade Paulista (Unip), Welber Senteio Smith, explica o processo: 'As sementes chegam pelo vento e por pássaros, através das fezes, e encontram condições para germinar e crescer'. Segundo ele, a distância das imagens não permite identificar a espécie, mas são 'espécies comuns nas cidades, que crescem em postes, muros, calçadas, etc.' Ele acredita que as plantas não devem ultrapassar o porte atual, pois 'não há condições para mais que isso'.

Referência urbana

A arquiteta e professora Mônica Pinesso Cianfarani comenta a função urbana da 'aranha' e por que ela se tornou uma referência. 'A referência se deve ao tamanho da edificação em um espaço urbano que, até meados dos anos 1990 e início dos anos 2000, era basicamente composto por edificações térreas ou de dois andares. A aranha serve como ponto de referência e localização, especialmente para quem anda a pé pela cidade', afirma. Ela cita o conceito de pontos de referência estudado por Kevin Lynch, mas ressalta que as referências mudam com a transformação da cidade. 'Antigamente, a catedral era uma referência. Agora, com prédios altos, fica mais difícil se localizar por ela ao caminhar pelo centro.'

Mônica alerta que, apesar de ser uma referência, a estrutura não tem utilidade e configura um vazio urbano que poderia ser melhor aproveitado. 'Não estou falando de especulação imobiliária, mas de utilizar o espaço para uma ampliação do hospital ou para alguma função social que destine uma área em zona quase central que está abandonada e gerando riscos.'

Potencial de uso

O engenheiro urbanista Sérgio Gonzalez também defende um melhor aproveitamento da área. 'Na área onde ele se encontra, existem alguns prédios que foram meio que incorporados à estrutura. Penso que deveria ser feito um levantamento de toda a área para saber a quem pertence e de que forma pode ser utilizada. É uma área com amplas possibilidades de apropriação, pois está abandonada há muitos anos e acredito que serve para muita coisa.'

Quase 70 anos de história

Em 1959, a estrutura foi concebida como base para um santuário dedicado a São Lucas, padroeiro dos médicos. O terreno pertence à Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP. Segundo registros da faculdade, em 18 de outubro de 1959 foi celebrada uma missa campal pelo núncio apostólico Dom Armando Lombardi, e a pedra fundamental foi colocada. Uma construtora de Curitiba projetou a igreja, idealizada pelo monsenhor Antônio Misiara, professor de filosofia da Faculdade de Medicina. O altar ficaria ao centro do santuário, que teria plataforma de mármore, torre de 86 metros e capacidade para 1.100 pessoas sentadas e mil em pé. No subsolo, haveria refeitório e cozinha. A decoração incluiria mosaicos representando o Criador retirando a costela de Adão.

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