Moradores contam como é desbravar a Zona Portuária do Rio
Moradores relatam a rotina na Zona Portuária do Rio

Pedro Henrique Brandão, a mulher Kelly Cozini e os filhos gêmeos João Pedro e Maria Luiza são um dos primeiros rostos da nova Zona Portuária do Rio. Instalados no 16º andar do Rio Wonder, um dos edifícios residenciais mais icônicos do Porto Maravilha, eles integram a leva de pioneiros que escolheram desbravar uma região em plena transformação. Entre o encanto do novo endereço e as dificuldades práticas de um bairro que ainda se estrutura, eles relatam o que mais gostam e o que mais sentem falta.

Um bairro que nasce do concreto

A Zona Portuária, historicamente marcada por armazéns e atividades industriais, passou nas últimas décadas por um dos maiores projetos de revitalização urbana do país. A demolição da Perimetral, a abertura do Museu do Amanhã e o boulevard Olímpico foram marcos iniciais. Agora, o residencial Rio Wonder, com seus mais de 30 andares, ajudou a atrair famílias como a dos Brandão, que enxergam na região um potencial único: morar perto do centro, com vista para a Baía de Guanabara e uma infraestrutura nova de saneamento, iluminação e mobilidade.

No 16º andar, o casal encontrou o espaço ideal para criar os gêmeos. A proximidade com o trabalho, no centro da cidade, foi um dos fatores decisivos. "A gente queria sair do trânsito e ter mais qualidade de vida", comenta Pedro Henrique, que também valoriza a sensação de estar participando da construção de um novo bairro. A vista panorâmica, que alcança o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor nos dias claros, é um dos prazeres diários da família.

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O que encanta os novos moradores

Entre os pontos positivos apontados por quem já se mudou para a Zona Portuária, a modernidade dos apartamentos e a tranquilidade relativa em comparação a bairros mais consolidados aparecem em primeiro lugar. O Rio Wonder oferece lazer completo: piscina, academia, salão de festas e até um espaço gourmet. Para as crianças, há playground e áreas verdes planejadas. A segurança também é um atrativo, já que o perímetro é bastante monitorado por câmeras e tem presença constante de agentes públicos.

Além disso, a oferta cultural e de lazer nas proximidades cresceu. Museus, aquários, restaurantes e bares ao longo do Boulevard Olímpico transformaram a região em um novo point carioca. Nos fins de semana, a família costuma caminhar pelo pier e aproveitar os parques. "É um estilo de vida diferente, a gente se sente em uma cidade nova", diz Kelly, destacando que o bairro está em plena efervescência.

Os desafios do dia a dia

No entanto, morar em um bairro em formação também significa lidar com ausências. A principal queixa dos novos moradores é a falta de serviços essenciais nas imediações. Não há supermercados de grande porte, farmácias 24 horas ou padarias a poucos passos do prédio. Para as compras do mês, é preciso recorrer a bairros vizinhos como Saúde, Centro ou até Copacabana. "A gente se planeja para ir ao mercado no carro, porque não dá para descer e comprar uma emergência", relata Pedro Henrique.

A rede de transporte público, embora tenha melhorado com o VLT, ainda não atende plenamente a demanda, especialmente à noite. Opções de escolas e creches na região são escassas, o que preocupa os pais dos gêmeos. A falta de uma infraestrutura de saúde mais próxima também é um ponto de atenção. "Sabemos que é questão de tempo, mas enquanto isso, a gente precisa se deslocar para ter quase tudo", completa Kelly.

Um futuro promissor no horizonte

Apesar das dificuldades, os moradores se mostram otimistas. A chegada de novos empreendimentos residenciais e comerciais, prevista para os próximos anos, deve atrair redes de supermercados, farmácias, escolas e serviços de saúde. O próprio Rio Wonder, com sua torre comercial, pretende abrigar lojas e escritórios, o que deve dinamizar a área. A Zona Portuária ainda aguarda a entrega de um grande shopping e a expansão do transporte aquaviário.

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Para a família Brandão, o balanço é positivo. Morar no 16º andar do Rio Wonder é mais do que ocupar um apartamento: é participar de um experimento urbano. "A gente se sente um pouco desbravador, no bom sentido. Cada mês surge uma novidade, um novo comércio, um novo serviço. É gratificante ver o bairro nascendo", afirma Pedro Henrique. A esperança é que, quando os gêmeos crescerem, a região seja um exemplo de cidade planejada.

Enquanto isso, a rotina segue entre encantos e adaptações. O casal aprendeu a mapear os melhores horários para fugir do trânsito no entorno e mantém uma lista de contatos de delivery que ainda não chegaram até o bairro. Mas, ao final do dia, o pôr do sol visto da janela do 16º andar compensa qualquer contratempo. "Viver aqui é apostar no futuro", resume Kelly.