Justiça do Rio revoga prisão do rapper Oruam; artista deixa a prisão
Justiça revoga prisão do rapper Oruam e ele é solto

A Justiça do Rio de Janeiro determinou, na manhã deste sábado (1º), a revogação da prisão preventiva do rapper Oruam. A decisão, tomada pelo juiz plantonista da 1ª Vara Criminal da Capital, atendeu ao pedido da defesa do artista, que estava detido desde a última terça-feira (28) no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. O alvará de soltura foi assinado no início da tarde, e o cantor deixou a unidade por volta das 16h.

Segundo apurou O GLOBO, o magistrado entendeu que não estão mais presentes os requisitos da prisão preventiva, como o risco à ordem pública ou ao andamento das investigações. Na decisão, ele destacou que Oruam não possui antecedentes criminais, tem endereço fixo, exerce atividade lícita como músico e demonstrou, durante a audiência de custódia, vínculos familiares e comunitários. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ainda não informou se vai recorrer.

O caso contra o rapper

Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, de 23 anos, foi preso na terça-feira durante uma operação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Segundo as investigações, ele seria um dos alvos de um esquema que envolvia o uso de shows pagos com dinheiro do tráfico para lavagem de dinheiro em comunidades da Zona Oeste do Rio. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra ele e outros investigados.

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De acordo com o inquérito, Oruam teria recebido valores em espécie para se apresentar em eventos patrocinados por uma facção criminosa. A defesa do cantor nega as acusações e afirma que as aparições públicas do rapper não passavam de contratos comerciais legítimos. Em nota, os advogados chamaram a prisão de equivocada e sustentaram que Oruam é um artista consolidado, com contrato com grandes marcas e gravadoras.

Os argumentos para a soltura

No pedido de revogação, a defesa argumentou que o rapper é réu primário e que, desde a decretação da prisão, não houve novos fatos que justificassem a manutenção da segregação. Os advogados também sustentaram que a internação estava inviabilizando a carreira do artista, que tem shows marcados em várias capitais do país e uma turnê internacional prevista para o próximo mês.

O juiz, por sua vez, avaliou que a medida cautelar foi cumprida e que a liberdade do investigado, com a imposição de outras medidas, não traria prejuízo às investigações. Ele ainda citou o princípio da proporcionalidade, lembrando que Oruam é o principal provedor de sua família e que sua detenção poderia causar danos irreparáveis.

Além de responder ao processo em liberdade, Oruam terá de cumprir uma série de condições: não poderá mudar de endereço sem autorização, deverá comparecer mensalmente em juízo e está proibido de entrar em contato com outros investigados. Ele também está proibido de fazer apologia ao crime em suas redes sociais, que movimentam milhões de seguidores.

Quem é Oruam

Nascido na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, Oruam é filho do traficante Túlio Nepomuceno da Costa, o Gordo, que foi um dos líderes do tráfico na região até ser assassinado em 2022. O rapper começou a carreira em 2019 e rapidamente ganhou destaque no cenário nacional com músicas que mesclam funk, rap e trap. Seus videoclipes ultrapassam a marca de 100 milhões de visualizações no YouTube, e ele soma mais de 5 milhões de ouvintes mensais nas plataformas de áudio.

A relação com o passado do pai é um dos temas mais polêmicos da trajetória de Oruam. Ele já respondeu a outros processos e chegou a ser alvo de críticas por supostamente exaltar o crime em letras e postagens. Em 2025, uma comissão da Câmara Municipal do Rio chegou a debater um projeto de lei que propunha restrição a shows de artistas com músicas que fazem apologia ao crime. O projeto não avançou, mas o rapper segue sob a mira das autoridades.

Repercussão e próximos passos

Diante do presídio, um grupo de fãs comemorou a soltura de Oruam. Cartazes com o nome do artista e versos de suas músicas foram exibidos. O rapper deixou o local de carro, com vidros escurecidos, e não falou com a imprensa. A defesa emitiu uma nota curta, considerando que a decisão restabeleceu a verdade. O MPRJ foi procurado para comentar, mas ainda não respondeu.

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O processo contra Oruam segue tramitando na Justiça. A próxima audiência está prevista para daqui a dois meses. Se o Ministério Público recorrer da decisão que revogou a prisão, a questão será analisada pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio. Enquanto isso, o rapper deve retomar a agenda de shows a partir da próxima semana.