Super El Niño ameaça redução histórica de queimadas no Brasil
Super El Niño ameaça redução de queimadas no Brasil

A expectativa do Super El Niño, fenômeno climático que pode provocar seca severa no norte do Brasil, ameaça o avanço na redução das áreas queimadas no país. Em 2025, o território devastado pelo fogo caiu para 12,7 milhões de hectares, menos da metade dos 30 milhões registrados em 2024.

Amazônia tem menor área queimada em 41 anos

A Amazônia registrou a menor área queimada em 41 anos, reflexo de políticas ambientais e fiscalização intensificadas. No entanto, especialistas alertam que a seca prevista para o segundo semestre de 2026, associada ao Super El Niño, pode reverter essa tendência. “O fenômeno pode intensificar as queimadas na região, especialmente se não houver medidas preventivas”, afirmou um pesquisador do INPE.

Cerrado e Pantanal também reduzem queimadas, mas Caatinga preocupa

O Cerrado e o Pantanal também apresentaram redução significativa na área queimada em 2025. No Cerrado, a queda foi de 40% em relação a 2024, enquanto no Pantanal a redução chegou a 35%. Já a Caatinga registrou aumento de 15% nas queimadas, impulsionado por condições de seca prolongada e uso inadequado do fogo para manejo agrícola.

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Impactos climáticos e políticas ambientais

O Ministério do Meio Ambiente destacou que os resultados positivos são fruto de ações integradas entre estados e União, como o fortalecimento do Prevfogo e a ampliação de multas para crimes ambientais. Contudo, a pasta reconhece que o cenário climático adverso pode comprometer esses ganhos. “Estamos monitorando de perto a evolução do El Niño e preparando planos de contingência para proteger os biomas mais vulneráveis”, disse a ministra em nota.

Dados do sistema Deter, do INPE, mostram que os focos de calor em janeiro e fevereiro de 2026 já superam a média histórica em algumas regiões da Amazônia. Se a seca se confirmar, a área queimada pode voltar a patamares elevados, colocando em risco a meta de redução de emissões de carbono do Brasil.

Caatinga: exceção preocupante

O aumento na Caatinga é atribuído à combinação de estiagem e práticas tradicionais de queima para renovação de pastagens. Organizações ambientalistas cobram ações específicas para o bioma, que abriga espécies endêmicas e comunidades dependentes dos recursos naturais. “É preciso investir em alternativas sustentáveis e educação ambiental para reverter essa tendência”, destacou um representante do WWF-Brasil.

O governo federal anunciou a criação de um grupo de trabalho para elaborar um plano emergencial para a Caatinga, com previsão de investimentos em sistemas de alerta precoce e capacitação de brigadistas locais.

Perspectivas para 2026

Com a iminência do Super El Niño, a expectativa é de um segundo semestre crítico. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico, tende a reduzir as chuvas no Norte e Nordeste, aumentando a inflamabilidade da vegetação. Modelos climáticos indicam que a seca pode ser mais intensa que a de 2024, quando o Brasil perdeu 30 milhões de hectares para o fogo.

Especialistas defendem a manutenção do orçamento para prevenção e combate a incêndios, além de políticas de longo prazo para desestimular o uso do fogo na agropecuária. “O Brasil mostrou que é possível reduzir as queimadas com planejamento e fiscalização, mas as mudanças climáticas impõem novos desafios que exigem ação contínua”, concluiu o pesquisador do INPE.

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