A microexplosão que causou destruição em pelo menos seis cidades da região de Ribeirão Preto (SP) na última sexta-feira (24) não foi detectada pelos radares meteorológicos nem prevista com antecedência. O fenômeno, que gerou ventos de até 160 km/h, afetou áreas urbanas e rurais, deixando um rastro de estragos.
Limitações técnicas da previsão
Segundo a meteorologista da Climatempo, Joséli Pegorim, mesmo com equipamentos modernos, é impossível prever microexplosões ou tornados com mais de 24 horas de antecedência. "Nós não conseguimos, tecnicamente, com todos os avanços que nós temos hoje, dar alertas de microexplosão ou de tornados com mais de 24 horas de antecedência", afirmou. O que os meteorologistas conseguem antever é a possibilidade de formação de uma supercélula, mas o local exato só é identificado por radar ou satélite poucas horas antes.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na sexta-feira as informações disponíveis consistiam em registros pontuais de velocidade do vento, precipitação, descargas atmosféricas e relatos locais — variáveis que indicavam tempestades na região, mas não alertavam para a microexplosão específica.
Diferença entre microexplosão e tornado
Ambos os fenômenos são gerados em supercélulas, nuvens muito carregadas e de grande extensão. A diferença está na dinâmica das correntes de ar. "O tornado faz um caminho, ele vai caminhando. A microexplosão vai como se fosse saindo das bases da nuvem em uma forma radial, mas concentrada em uma área muito pequena. Ela vai para baixo e para os lados. O tornado faz um giro, a corrente de ar é um movimento giratório. A microexplosão é uma corrente de ar que vai para vários lados ao mesmo tempo", explicou Pegorim. Dependendo da intensidade, os danos são semelhantes.
Condições que formam a supercélula
Na semana passada, a chegada de uma frente fria na região Norte de São Paulo contribuiu para a formação da supercélula. No entanto, Pegorim ressalta que ela pode se formar independentemente de frentes frias. "Basta que você tenha uma atmosfera muito instável. Essas supercélulas, que são essas nuvens muito intensas, muito extensas, que podem gerar tornado ou microexplosão, podem se formar em um ambiente onde você tenha um ar muito quente e úmido junto com o ar seco e quente". No caso específico, a combinação de ar quente e seco com a massa úmida e fria da frente fria criou as condições ideais.
Impacto na região
As cidades de Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis e Barrinha foram as mais afetadas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu a dificuldade dos modelos meteorológicos atuais em prever fenômenos extremos. Uma estimativa inicial do governo estadual aponta que o temporal afetou 79 mil hectares, área equivalente a 110 mil campos de futebol ou ao tamanho de cidades como Petrópolis (RJ) e Campinas (SP). Cerca de 96 horas após o temporal, postos de saúde e escolas seguiam fechados em Ribeirão Preto, e a rede elétrica estava sendo reconstruída em Guariba, onde ventos de até 160 km/h derrubaram cabos.



