A maior gruta de Rondônia, com cerca de 415 metros de extensão, teve parte de sua estrutura destruída durante a exploração de calcário em Pimenta Bueno (RO), segundo o Ministério Público Federal (MPF). O órgão aponta uso irregular de explosivos e pede R$ 8 milhões por danos ambientais.
A ação do MPF envolve empresas de mineração e órgãos públicos, incluindo a Empresa de Mineração Aripuanã (EMAL), a Companhia de Mineração de Rondônia (CMR), a Emater-RO, o Governo de Rondônia e a Agência Nacional de Mineração (ANM). Segundo o MPF, todos teriam responsabilidade, direta ou indireta, pelos danos.
A exploração de calcário ocorreu por anos sem o cumprimento de exigências básicas, como a realização de estudos ambientais obrigatórios. Os órgãos públicos teriam falhado na fiscalização e autorizado atividades sem os requisitos legais. A exploração começou na década de 1980 e já acumulava denúncias de irregularidades.
Em 2008, uma vistoria do Ibama identificou uso de explosivos sem autorização e danos na gruta, mas as atividades continuaram. A perícia apontou que a entrada principal da Gruta Frente de Lavra ficou mais estreita, com marcas de perfuração e sinais de explosões no teto e na entrada. Análises químicas identificaram resíduos de explosivos, como TNT, em áreas preservadas.
Cerca de 20 metros da gruta foram destruídos, e a entrada foi bloqueada por pedras. O MPF também aponta que não foi respeitada a área de proteção mínima de 250 metros ao redor das cavernas, além da ausência dos estudos ambientais obrigatórios. O órgão pede recuperação da área, suspensão imediata de atividades na área protegida e pagamento de R$ 8 milhões por danos morais coletivos.



