Documentário sobre a anta destaca legado de conservação no interior de SP
Documentário sobre a anta: conservação no interior de SP

Exibição gratuita marca o início da trajetória do filme

O documentário 'Anta – O filme' será exibido gratuitamente neste sábado (1º de fevereiro de 2025), às 19h, no Clube Taquarussu, em Teodoro Sampaio (SP). A produção, que une ciência, cinema e educação ambiental, tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a espécie e reforçar a importância da conservação da fauna brasileira. A escolha da cidade para a primeira exibição aberta ao público é emblemática: foi em Teodoro Sampaio que, há 30 anos, nasceu a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), vinculada ao Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ).

A anta: jardineira das florestas

Considerada o maior mamífero terrestre da América do Sul, a anta (Tapirus terrestris) desempenha um papel fundamental na regeneração de ecossistemas ao dispersar sementes. Espécie ameaçada de extinção, ela é vital para a manutenção da biodiversidade. De acordo com a pesquisadora Patrícia Medici, coordenadora da INCAB, 'a anta consome muitos frutos da floresta — cerca de 50% a 60% de sua dieta são frutos. Um animal de 200 a 250 quilos pode ingerir de 6 a 10 quilos de alimento por noite.' Esse processo de alimentação e digestão resulta na dispersão de sementes, incluindo as de grande porte, principalmente de palmeiras, que são importantes para a captura de carbono e possuem raízes profundas.

Três décadas de pesquisa e conservação

A INCAB foi criada em 1996 sob a liderança de Patrícia Medici. O projeto começou na Mata Atlântica, na região do Pontal do Paranapanema, e hoje atua em cinco biomas brasileiros: Mata Atlântica, Pantanal (a partir de 2008), Cerrado (2015), Amazônia (2021) e Caatinga (2023). Ao longo de quase 30 anos, a iniciativa estruturou o maior banco de dados do mundo sobre a espécie. O documentário acompanha a trajetória de pesquisadores e voluntários, com destaque para o trabalho de Patrícia Medici, uma das principais referências mundiais no estudo da anta, e do assistente José Maria Aragão (Zé), que está no projeto desde o início.

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Em declaração ao g1, Patrícia explicou que o filme aborda a ecologia do animal, incluindo comportamento, território percorrido, horários de atividade, alimentação, saúde e diversidade genética. 'A gente trabalha com esse bicho em cinco biomas principais. Cada um tem um contexto, uma paisagem, um entorno socioeconômico e diferentes ameaças atuando sobre o animal', afirmou.

Desafios e ameaças na Mata Atlântica

O Parque Estadual do Morro do Diabo, uma das principais áreas remanescentes de Mata Atlântica no interior paulista, é um ponto-chave na narrativa. A região de Teodoro Sampaio é bastante fragmentada, e a principal ameaça para a anta é o isolamento das populações em fragmentos florestais. 'Temos também a questão da caça e dos atropelamentos na rodovia que cruza o parque. Essa é a realidade da Mata Atlântica', pontuou Patrícia.

Produção do documentário

Dirigido pelo fotógrafo e documentarista João Marcos Rosa e produzido pela NITRO Histórias Visuais, o longa tem 80 minutos de duração. Foram três meses de pré-produção e quase um ano de gravações, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, em seis expedições pelos biomas brasileiros. João Marcos Rosa destacou o desafio de resgatar o 'baú de memórias' da INCAB ao longo de 30 anos. 'Fazer com que essa trajetória pudesse fazer sentido temporalmente e também no que diz respeito ao objetivo do trabalho. A gente tentou trazer a origem do projeto, que nasce na região do Morro do Diabo, com a busca pela anta', disse o diretor.

A expedição em Teodoro Sampaio foi especialmente marcante, pois promoveu o reencontro de Patrícia com a equipe original do projeto. 'Voltar para Teodoro, para as raízes, para onde toda essa história foi parida, foi muito especial', descreveu a pesquisadora.

Mensagem central e desconstrução de estereótipos

Além de destacar a importância ecológica da anta, o filme busca desconstruir o estereótipo pejorativo associado ao animal no Brasil. 'Outras pessoas associam esse bicho à falta de inteligência. O filme vem também com essa missão de fazer com que as pessoas assistam, se apaixonem pela causa e se deem conta de que esse animal está longe de ser desprovido de inteligência', reforçou Patrícia.

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Próximas exibições e como participar

Após a estreia em Teodoro Sampaio, o documentário será levado ao Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O diretor informou que a produção está aberta a convites para exibições em eventos, escolas e universidades. Interessados podem obter mais informações pelo Instagram da INCAB ou pelo e-mail incabbrasil@gmail.com. Os produtores ainda não têm previsão para disponibilização em plataformas digitais, priorizando inicialmente as exibições presenciais para promover reflexão coletiva.