Câmara aprova pacote ruralista que enfraquece fiscalização ambiental
Câmara aprova pacote ruralista que enfraquece fiscalização ambiental

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (19) um conjunto de projetos de lei apelidado de 'Dia do Agro' pela bancada ruralista. As propostas, de interesse da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), incluem medidas que fragilizam a fiscalização remota de áreas desmatadas e exigem notificação prévia de produtores antes da aplicação de sanções.

Um dos textos proíbe embargos e outras medidas cautelares baseadas exclusivamente em imagens de satélite que identifiquem alteração na cobertura vegetal. Parlamentares ambientalistas afirmam que a medida inviabiliza a resposta imediata a irregularidades, já que mais de 90% do monitoramento do desmatamento na Amazônia Legal é feito por sensoriamento remoto.

O líder do PSOL, Tarcísio Motta (PSOL-RJ), criticou a aprovação: 'Este projeto fragiliza os mecanismos de fiscalização ambiental e impede que medidas cautelares preventivas ocorram na urgência necessária. Mais uma vez, premia os desmatadores.' A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) destacou que 'em situação de desmatamento tem que atuar imediatamente'.

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Outra proposta aprovada transforma parte da Floresta Nacional do Jamanxim em Área de Proteção Ambiental (APA), categoria que permite regularização fundiária e usos econômicos mais amplos. Para governistas, a recategorização flexibiliza a proteção ambiental e pode legalizar ocupações irregulares, estimulando grilagem, garimpo ilegal e desmatamento.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) classificou o pacote como um 'retrocesso inimaginável'. O ministro João Paulo Capobianco afirmou: 'É muito grave, com proporções nunca vistas. Não poderíamos imaginar que o Brasil no século XXI esteja assistindo a essa degradação da lei para atender interesses específicos.'

O Observatório do Clima disse que o 'Dia do Agro' entrou para a história como a maior ofensiva ruralista contra o meio ambiente. Gabriela Nepomuceno, do Greenpeace, acrescentou: 'O Congresso confirma sua vocação autoritária ao destruir a legislação ambiental e premiar quem atua à margem da legalidade.'

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