Vídeo engana ao promover cúrcuma como remédio natural para coração e Alzheimer
Vídeo engana ao promover cúrcuma como remédio natural

Um vídeo que circula nas redes sociais ensina uma receita de cubos de gelatina com cúrcuma e alega que a mistura funciona como um “remédio natural” para a saúde do coração, melhora da imunidade e prevenção do Alzheimer. No entanto, especialistas consultados pelo Estadão Verifica afirmam que não há comprovação científica para esses benefícios.

O que diz o vídeo

Publicado originalmente no Facebook, o conteúdo soma mais de 1 milhão de visualizações e também foi compartilhado no Instagram e TikTok pela autora, que se identifica como esteticista e criadora de protocolos faciais e corporais. A legenda promete uma série de supostos benefícios, incluindo redução do colesterol, combate a gripes e prevenção de doenças neurodegenerativas.

O que dizem os especialistas

O professor Leopoldo Baratto, da Faculdade de Farmácia da UFRJ, explica que a cúrcuma possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes comprovadas, mas não há evidências clínicas para os demais efeitos listados. “A cúrcuma não previne o aparecimento de doenças”, afirma.

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A neurologista Elisa Resende, da Academia Brasileira de Neurologia, reforça que não existem estudos clínicos em humanos que comprovem benefícios da cúrcuma na prevenção do Alzheimer. “Os estudos foram feitos apenas em animais”, alerta.

O cardiologista Daniel Magnoni, do Hospital do Coração de São Paulo, também nega evidências científicas para a redução do colesterol ou melhora da saúde cardíaca.

Riscos do consumo excessivo

O uso indiscriminado de cúrcuma pode causar efeitos adversos graves. O professor Baratto destaca que doses excessivas podem provocar náuseas, dor estomacal, diarreia e aumento do risco de sangramentos.

A médica Isolda Prado, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia, alerta para o risco de hepatite associado ao uso indevido de altas doses de cúrcuma. Em março, a Anvisa emitiu um alerta de farmacovigilância sobre casos raros, mas graves, de intoxicação hepática relacionados a suplementos concentrados de cúrcuma.

“Natural não significa seguro. Plantas e extratos podem causar efeitos adversos, como alergias, intoxicações, lesão hepática, interação com medicamentos e atraso no diagnóstico ou tratamento adequado”, ressalta Isolda.

Grupos de risco

Pacientes com distúrbios hemorrágicos, usuários de anticoagulantes, pessoas com cálculos biliares, doenças hepáticas ou renais, e aqueles que tomam múltiplos medicamentos devem ter cautela redobrada com o uso de cúrcuma.

Como consumir de forma segura

Para aproveitar os benefícios da especiaria, o ideal é consumir produtos de qualidade e na dosagem correta. O professor Baratto recomenda o uso de medicamentos fitoterápicos industrializados ou manipulados, que contêm extrato seco padronizado e a quantidade adequada de curcuminoides.

O uso culinário da cúrcuma in natura ou em pó é seguro para a maioria das pessoas, mas não deve ser considerado tratamento para doenças específicas. A nutróloga Isolda lembra que receitas milagrosas não substituem uma alimentação equilibrada, exercícios físicos, sono adequado e hábitos saudáveis.

A autora do vídeo foi procurada pelo Estadão Verifica, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.

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