Três dos quatro homens acusados de matar a adolescente Bárbara Carolina Cantídio, de 17 anos, foram condenados em júri popular realizado na quinta-feira (23) no Fórum de Barretos, interior de São Paulo. Além do homicídio qualificado, eles também foram sentenciados por três tentativas de homicídio. O quarto réu foi absolvido. O crime ocorreu em 9 de dezembro de 2022, após a desclassificação do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo para a Croácia.
Penas impostas e regime prisional
Carlos Alberto Marques de Castro recebeu a pena de 37 anos e 4 meses de prisão em regime inicial fechado. Vinícius de Oliveira de Jesus foi condenado a 35 anos, 9 meses e 10 dias também em regime fechado. Caio Vinícius Narcizo de Oliveira Conceição terá que cumprir 28 anos de prisão em regime fechado. Todos estavam presos desde dezembro de 2022. Roberval Arena da Silva Filho foi absolvido e solto logo após o julgamento. O direito de recorrer em liberdade foi negado aos condenados.
Reações das defesas
O advogado Cassiano Figueiredo, que defende Carlos Alberto e Caio, afirmou ao g1 que recorrerá da decisão. "Pela defesa de ambos, ficou comprovado no júri que agiram para repelir injusta agressão consistente no primeiro disparo que partiu do grupo das vítimas, especialmente porque se comprovou que os réus foram agredidos no interior do shopping. A decisão dos jurados dividida em muitos quesitos revelou isso. Vamos recorrer questionando a decisão contrária à prova dos autos e as nulidades processuais que ocorreram durante o júri", declarou.
O advogado Marco Antônio Santos, que representou Roberval, comemorou a absolvição. "Hoje nós estamos felizes, pelo menos, em relação ao nosso cliente, porque somos uma banca de defesa que acredita no cliente, acredita no que ele fala, e acho que isso faz toda a diferença no momento de passar isso para os jurados", disse.
A reportagem também tentou contato com a defesa de Vinícius de Oliveira de Jesus, mas não obteve retorno até o fechamento.
Cronologia do crime
A confusão começou no interior de um shopping em Barretos durante a transmissão do jogo Brasil x Croácia, em 9 de dezembro de 2022. Após a derrota brasileira nos pênaltis, uma briga generalizada entre grupos rivais se iniciou no local e se estendeu para a área externa, próximo ao Ginásio de Esportes João Batista da Rocha (Rochão). Seguranças do shopping intervieram, e a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados.
Bárbara Carolina Cantídio, estudante de 17 anos, saía do shopping quando foi atingida nas costas por dois tiros. Ela morreu no local. Sua prima, Débora Rebor, também de 17 anos, foi baleada e sofreu perfuração no pulmão, sendo socorrida em estado grave para a Santa Casa de Barretos, onde sobreviveu. Além delas, uma mulher de 20 anos e um homem de 21 anos sofreram escoriações, sem ferimentos por bala.
Impacto sobre as vítimas
Tatiane Cristina Rebor, mãe de Débora, relatou à EPTV, afiliada da TV Globo, as consequências do ataque. "A Débora tem muito pesadelo, tem depressão, ficou com marcas muito feias no corpo. Quebrou costela, perfurou pulmão, então assim, tem roupa que ela não pode usar. As sequelas são bem, bem fortes", desabafou.
Durante o julgamento, os sobreviventes foram ouvidos como testemunhas. A Prima de Bárbara, que se tornou símbolo da violência durante a Copa, segue com sequelas físicas e emocionais.
Repercussão e próximos passos
O caso teve grande repercussão local e nacional, levantando debates sobre segurança em eventos esportivos e violência entre torcidas. As defesas dos condenados já anunciaram recurso. O Ministério Público, que sustentou a acusação de homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas, comemorou as condenações.
A Justiça negou o direito de os réus apelarem em liberdade, mantendo a prisão preventiva. A expectativa é que o Tribunal de Justiça de São Paulo analise os recursos nos próximos meses.



