STJ nega liberdade a Deolane Bezerra e mantém prisão por lavagem de dinheiro ao PCC
STJ nega liberdade a Deolane Bezerra e mantém prisão

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta quarta-feira (1º), o pedido de liminar da defesa de Deolane Bezerra e manteve a prisão preventiva da influenciadora. A decisão, assinada pelo ministro Ribeiro Dantas, entendeu que a prisão está suficientemente fundamentada pela suposta participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Defesa alega falta de requisitos, mas STJ mantém prisão

A defesa de Deolane argumentou ausência de requisitos para a prisão preventiva, falta de contemporaneidade, possibilidade de aplicação de medidas cautelares alternativas e direito à prisão domiciliar. No entanto, em análise preliminar, o ministro Ribeiro Dantas considerou que os fundamentos da prisão eram válidos. Esta não é a primeira negativa judicial: em 25 de junho, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) já havia rejeitado um habeas corpus da influenciadora. Em maio, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também negou um pedido de prisão domiciliar, afirmando não haver "manifesta ilegalidade" na detenção.

Prisão ocorreu em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

Deolane foi presa preventivamente em 21 de maio, durante uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista. A influenciadora nega as acusações e afirma que foi presa por exercer a advocacia, tendo recebido R$ 24 mil de um cliente. "A justiça vai ser feita", declarou.

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Investigação começou com bilhetes encontrados em presídio

A apuração teve início em 2019, quando agentes penitenciários encontraram bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha ordens internas do PCC, contatos de integrantes e referências a ações violentas contra servidores públicos. A partir desses documentos, foram abertos três inquéritos que mapearam a estrutura financeira da facção. Os investigadores chegaram a uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro do crime organizado.

Esquema de dissimulação financeira

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, a transportadora fazia repasses para contas de terceiros para ocultar a origem do dinheiro. Duas dessas contas estariam em nome de Deolane. As movimentações ocorriam por meio de depósitos fracionados em espécie, saindo do caixa da facção, passando pela transportadora e chegando às contas ligadas à influenciadora. O delegado Edmar Caparroz afirmou: "O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado."

Ligação com Marcola e família

A polícia aponta que o principal elo entre Deolane e Marcola, líder do PCC, é Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe da facção, que mora em Madri. Deolane também mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora. Os investigadores não identificaram prestação de serviços compatível com os valores recebidos. Além de Marcola e Paloma, foram alvos da operação Everton de Souza ("Player"), operador financeiro; Alejandro Camacho, irmão de Marcola; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do líder.

Risco de fuga justificou prisão preventiva

A Justiça decretou a prisão preventiva devido ao risco de fuga. Deolane havia retornado ao Brasil na véspera da operação após passar semanas na Europa. Integrantes da família de Marcola deixaram o país durante as investigações: uma sobrinha foi para a Espanha e um sobrinho fugiu para a Bolívia. O nome de Deolane chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

Deolane é investigada em outro caso de lavagem

Esta é a segunda prisão da influenciadora em menos de dois anos. Em 2025, ela foi alvo de investigação da Polícia Civil de Pernambuco sobre lavagem de dinheiro relacionada a empresas de apostas online. Segundo aquela investigação, Deolane teria investido mais de R$ 65 milhões em carros e imóveis de luxo com recursos do setor de bets.

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Polícia classifica Deolane como integrante do PCC

Em trecho do inquérito obtido pela TV Globo, a Polícia Civil afirma que Deolane tem papel "central" na estrutura financeira da facção. O documento diz: "Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem e capitais geridos pela organização criminosa." Apesar disso, a investigação indica que ela não foi "batizada" formalmente na facção e não possui apelido dentro do PCC.

Quem é Deolane Bezerra

Deolane ganhou projeção nacional após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021. Desde então, ampliou sua presença nas redes sociais, participou de programas de TV e investiu em publicidade digital e apostas online. Ela acumula mais de 21 milhões de seguidores no Instagram e publica conteúdo ostentando carros de luxo, viagens e mansões em Alphaville. O filho adotivo da influenciadora, Giliard Vidal dos Santos ("Chefinho"), também foi alvo de busca e apreensão na operação.