O empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, dono da Outsider Tours, preso na última sexta-feira (26), foi denunciado pelo Ministério Público de Sergipe e se tornou réu na Justiça do estado por mais um caso de fraude na venda de ingressos e pacotes para eventos esportivos. Segundo a denúncia, obtida com exclusividade pelo RJ2, Fernando e seu amigo e sócio Armando Raymundo Neto causaram um prejuízo de R$ 14,7 mil a duas vítimas. O crime foi cometido, de acordo com a denúncia, "com prévio ardil de não honrar os contratos". Armando, que também se tornou réu e é considerado foragido, é dono da Turisport, empresa citada em vários processos por estelionato na venda de pacotes esportivos.
Vítimas compraram pacotes para final da Libertadores
As vítimas adquiriram pacotes para a final da Libertadores de 2025, em Lima, entre Flamengo e Palmeiras, e pagaram via Pix ou boleto bancário. À medida que a partida se aproximava, Fernando e Armando eram procurados pelos clientes sobre os vouchers de viagem, que nunca foram entregues. Depois, os empresários paravam de atender e desapareciam com o dinheiro, sem prestar informações ou fazer qualquer ressarcimento.
Histórico de estelionatos e mais de 600 processos
Fernando Sampaio responde a mais de 600 processos em todo o Brasil desde 2019, como sócio de diferentes empresas de turismo, incluindo a Outsider Tours. Em janeiro de 2026, após novos casos nas finais da Liga dos Campeões de 2024 e 2025 e na última final da Libertadores, ele foi preso em Santa Catarina com mandado da Justiça do Pará. Em abril, foi solto após pagar o prejuízo às vítimas. Atualmente, responde a um processo criminal no Rio de Janeiro por estelionato, crime pelo qual foi indiciado duas vezes no ano passado.
Tentativa de acordo negada
Em uma das ações judiciais recentes, Fernando tentou fazer acordo com o MPRJ para não ser processado, mas o benefício foi negado. O argumento foi que, somente no Rio de Janeiro, ele é alvo de mais de quarenta inquéritos por vender pacotes e não entregar. Em abril, a Delegacia do Consumidor cumpriu nove mandados contra Fernando e Armando.
Prisão mantida após audiência de custódia
Na sexta-feira, a Polícia Federal prendeu Fernando no Aeroporto Internacional do Galeão, com mandado da Justiça de Sergipe, quando ele chegava de Balneário Camboriú, onde passou a morar no final de 2025. A prisão preventiva foi mantida após audiência de custódia no Rio. Fernando estava preso em Benfica, na Zona Norte do Rio, até terça-feira (30), quando foi transferido para um presídio em Japeri, na Baixada Fluminense.
Outras empresas e o 'braço' Turisport
Em maio, a Polícia Civil realizou busca e apreensão contra Fernando e Armando. O MP do Rio pediu a suspensão das atividades de todas as empresas ligadas a Fernando e a retirada do ar de suas páginas na internet e redes sociais, para impedir novas vítimas. A Outsider Tours teve o CNPJ declarado inapto em novembro de 2025, por inadimplemento em processos trabalhistas. No entanto, Fernando continuava operando por meio de outras empresas, como a Turisport, que pertence a Armando e é usada para receber pagamentos. O Pix da Outsider Tours para pacotes turísticos é o da Turisport. Fernando afirmou em outubro: “Hoje a gente recebe pela Turisport. É uma empresa que é o braço de esporte da Outsider. Inclusive, o nome fantasia é Outsider já há bastante tempo.” A Turisport permanece ativa na Receita Federal. Além dela, outras empresas como AIT Operadora de Turismo, High Light Consolidadora, Arena Consultoria Esportiva (de Letícia Coppi, ex-companheira de Fernando) e Infinito Viagens também são usadas nas operações.
Defesa alega sigilo e primariedade
A defesa de Fernando, representada pelos advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, informou que teve acesso à denúncia, mas não à decisão que decretou a prisão preventiva, que segue sob sigilo. A defesa afirma que Fernando é réu primário e que o crime de estelionato simples foi cometido sem violência ou grave ameaça. A acusação será submetida ao devido processo legal, e a defesa adotará as medidas cabíveis para garantir os direitos constitucionais do cliente.



