O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julga nesta quinta-feira (6) o ministro afastado Marco Buzzi, acusado de assédio e importunação sexual por duas mulheres. O plenário da Corte analisa um processo administrativo que pode resultar na perda definitiva do cargo.
As acusações
Duas denúncias estão em análise. Uma jovem de 18 anos afirma ter sido vítima de importunação sexual durante um banho de mar, em janeiro de 2026, quando passava férias com a família na casa de Buzzi em Balneário Camboriú (SC). Uma ex-funcionária terceirizada do gabinete do ministro relata episódios reiterados de assédio sexual e importunação ocorridos entre 2023 e 2025, enquanto trabalhava na equipe do magistrado no STJ.
Em paralelo, Buzzi é alvo de dois inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF): um sob suspeita de importunação sexual, pelos mesmos fatos, e outro sob suspeita de envolvimento em um esquema de venda de sentenças. A defesa afirma não ter sido formalmente notificada sobre essa investigação.
A defesa e as provas
Em sua primeira entrevista desde que o caso veio a público, a advogada de Buzzi, Maria Fernanda Saad Ávila, contesta as acusações e aponta contradições nos depoimentos das testemunhas de acusação. "Ele nega a existência de qualquer contato da natureza que foi apresentada na denúncia", afirma a defensora. Sobre o episódio na praia, ela diz que Buzzi tem dificuldades motoras — usa bengala e palmilha devido ao encurtamento de uma perna — e precisou de auxílio para entrar e sair do mar, limitando-se a dar as mãos.
Quanto à ex-funcionária, a defesa juntou registros de catracas do STJ para comprovar que Buzzi e a denunciante não estiveram sozinhos no gabinete nos horários alegados. Nos dois primeiros episódios, ocorridos no primeiro semestre de 2023, a mulher esteve ausente por quatro meses — abril a julho — por motivos de saúde, período em que as catracas não registram sua entrada, embora a folha de ponto tenha sido preenchida como se ela estivesse presente. "A verdade é que ela não ingressou", destaca a advogada, que questiona a autenticidade do registro de ponto.
Contradições nas testemunhas
Sobre o episódio do corredor, em meados de 2024, em que a ex-funcionária diz ter levado um tapa nas nádegas, a defesa argumenta que eles não estavam sozinhos: o corredor da assessoria estava repleto de pessoas, e nenhuma delas viu ou ouviu nada. As duas testemunhas de acusação que relataram ter presenciado a cena apresentaram versões contraditórias: uma descreveu local e dinâmica diferentes da denunciante; a outra, segundo a defesa, prestou falso testemunho ao afirmar que Buzzi chegava cedo ao tribunal — registros de WhatsApp dos funcionários mostram que ele chegava à tarde. Além disso, essa testemunha disse que passou a chegar mais cedo para proteger a denunciante, mas as catracas revelam que só o fez durante o período de ausência da funcionária.
A advogada também menciona um encontro entre a mãe da primeira denunciante e a principal testemunha da segunda, registrado por câmeras do STJ no corredor em frente ao gabinete, sugerindo comunicação entre os envolvidos. "O que posso afirmar, sem estar no campo do subjetivismo, é que essas provas que dizem ser contemporâneas não existiram", conclui Maria Fernanda.
Impacto e próximos passos
O julgamento no plenário do STJ pode resultar no afastamento definitivo de Marco Buzzi. A defesa apresentou memoriais e visita gabinetes dos ministros para expor seus argumentos. Caso Buzzi seja condenado, a Corte pode determinar a perda do cargo, além de outras sanções administrativas. Paralelamente, os inquéritos criminais no STF seguem em andamento, mas a defesa afirma não ter recebido notificação formal sobre eles.



