Serial Killer de Gilgo Beach é condenado à prisão perpétua
Serial killer de Gilgo Beach pega prisão perpétua

Rex A. Heuermann, conhecido como o assassino em série de Gilgo Beach, foi sentenciado nesta quarta-feira (17) à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional pelos crimes. O arquiteto de Long Island, de 62 anos, havia sido preso em 2023 após confessar ter assassinado oito mulheres.

Confissões em tribunal

Heuermann apresentou as confissões em um tribunal lotado de repórteres, policiais e familiares das vítimas, alguns dos quais choraram enquanto ele detalhava os assassinatos. Ele se declarou culpado por três acusações de homicídio em primeiro grau e quatro de homicídio doloso, encerrando um caso que atormentou investigadores e angustiou famílias.

Embora não tenha sido formalmente acusado pela morte dela, ele também admitiu ter matado Karen Vergata em 1996. No tribunal, Heuermann confirmou que estrangulou todas as oito vítimas e desmembrou algumas delas antes de descartar os corpos. Vestindo um paletó preto e uma camisa branca, ele se mostrou direto e sem emoção ao responder às perguntas do promotor e do juiz, sem olhar para trás para a plateia lotada.

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Reações das famílias

Melissa Cann, irmã da vítima Maureen Brainard-Barnes, disse em coletiva de imprensa: “Esta tem sido uma longa jornada de esperança — a esperança de que um dia estaríamos aqui e diríamos o nome dela com justiça ao lado. Hoje, essa longa e dolorosa jornada nos trouxe a este momento.”

O promotor do condado de Suffolk, Ray Tierney, elogiou os familiares das vítimas e a força-tarefa de homicídios de Gilgo Beach, que solucionou o caso com a ajuda de pistas como DNA coletado de uma crosta de pizza descartada. Gloria Allred, advogada de algumas famílias, descreveu várias das mulheres como jovens mães que apenas tentavam ganhar dinheiro extra para sustentar seus filhos.

Elizabeth Baczkiel, cuja filha Jessica Taylor foi assassinada, afirmou: “Estou aliviada que isso tenha acabado no que diz respeito à confissão de culpa. Tirou um grande peso de estresse de mim e da minha família.”

Ex-esposa do assassino

A ex-esposa de Heuermann, Asa Ellerup, e a filha do casal compareceram à audiência. Ellerup disse que seus pensamentos e orações estão com as famílias das vítimas e pediu privacidade para sua própria família neste que chamou de “momento muito difícil”. O advogado delas, Robert Macedonio, afirmou que Ellerup e a filha, Victoria, não tinham conhecimento nem envolvimento nos crimes.

O advogado de Heuermann, Michael Brown, disse que a decisão de se declarar culpado foi do próprio Heuermann, em parte para poupar os familiares das vítimas e sua própria família do sofrimento de um julgamento. Como parte do acordo de culpa, Heuermann concordou em cooperar integralmente com a unidade de análise comportamental do FBI como parte de um exercício acadêmico e científico.

Uma descoberta chocante

A descoberta de vários conjuntos de restos humanos ao longo da costa sul de Long Island a partir do fim de 2010 desencadeou uma busca por um possível serial killer que atraiu interesse global e inspirou um filme de Hollywood. Restos mortais de seis vítimas — Melissa Barthelemy, Brainard-Barnes, Amber Lynn Costello, Valerie Mack, Taylor e Megan Waterman — foram encontrados na vegetação ao longo da Ocean Parkway, perto de Gilgo Beach. Os restos de outra vítima, Sandra Costilla, foram encontrados a mais de 100 quilômetros de distância, nos Hamptons. A polícia também identificou os restos de Vergata, encontrados em Fire Island, a mais de 30 quilômetros a oeste, em 1996, e perto de Gilgo Beach em 2011.

Apesar da grande atenção, incluindo uma série documental e o filme da Netflix de 2020, “Lost Girls”, a investigação se arrastou por mais de uma década, marcada por pistas passageiras e esperanças frustradas.

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Nova análise traz resultados

Em 2022, seis semanas após um novo comissário formar a força-tarefa de Gilgo Beach, detetives identificaram Heuermann como suspeito ao usar um banco de dados de registros de veículos para conectá-lo a uma caminhonete vista por uma testemunha quando uma das vítimas desapareceu, em 2010. Heuermann viveu por décadas em Massapequa Park, a cerca de 25 minutos de carro do local onde os restos mortais foram encontrados. Acredita-se que algumas das vítimas desapareceram nessa comunidade, e seus celulares registraram conexão com torres da região.

Após a descoberta da caminhonete, um grande júri autorizou mais de 300 intimações e mandados de busca. Os detetives coletaram registros de telefones descartáveis usados por ele para marcar encontros com as vítimas, reexaminaram DNA encontrado com os corpos e analisaram seu histórico de buscas na internet, que mostrava interesse por pornografia violenta de tortura e pelos próprios assassinatos de Gilgo Beach e sua investigação. Dados de celular indicaram que Heuermann manteve contato com algumas vítimas pouco antes de elas desaparecerem.

Para obter o DNA de Heuermann, uma equipe de vigilância o seguiu em Manhattan, onde ele trabalhava, e observou quando ele jogou no lixo restos de seu almoço — uma caixa com crostas de pizza parcialmente comidas. Os investigadores recolheram a caixa e a enviaram ao laboratório, que encontrou correspondência entre o DNA da crosta e um fio de cabelo masculino encontrado em uma estopa usada para amarrar uma das vítimas. Ele foi preso em julho de 2023. No computador dele, os investigadores disseram ter encontrado o que descreveram como um “manual” dos assassinatos, incluindo listas de verificação com lembretes para reduzir o ruído, limpar os corpos e destruir evidências.