A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se o professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, de 78 anos, preso desde março, pode ter feito outras vítimas de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes entre 2020 e 2025. As investigações apontam que ele se aproximava de menores em situação de vulnerabilidade oferecendo dinheiro, lanches, celulares, presentes e outras vantagens. Nesta segunda-feira (3), o processo passa por uma nova audiência de instrução e julgamento no Tribunal de Justiça do Rio. As informações são do portal de notícias g1.
Investigação em andamento
Cordovil é réu em uma ação na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca) e está preso preventivamente desde março. Em maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) o denunciou por três crimes. Segundo a investigação, uma das vítimas tinha apenas 10 anos, e o abuso teria sido filmado pelo próprio acusado. A continuidade das investigações da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) levou à identificação de pelo menos cinco possíveis novas vítimas do professor e advogado.
A Polícia Civil não descarta que outras crianças também tenham sido vítimas. Os estupros, de acordo com a investigação, aconteciam na casa de Cordovil, no Grajaú, Zona Norte do Rio. Ainda segundo a reportagem do g1, as três primeiras vítimas identificadas indicaram os nomes de outras adolescentes que frequentavam a residência de Cordovil. A polícia, no entanto, informou ter encontrado dificuldade para intimar parte dessas crianças e adolescentes, já que muitas vivem em comunidades.
Materiais e indenização
Além dos crimes sexuais, ele também produzia registros em foto e vídeo, caracterizando exploração sexual e produção de material pornográfico. As investigações apontam que parte desse material foi compartilhada. Durante as investigações, agentes encontraram mais de 8 mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes no celular de Cordovil. De acordo com o MPRJ, a quantidade de material reforça a suspeita de que o número de vítimas possa ser maior do que o já identificado.
O órgão também pediu à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima reconhecida no processo. Ao g1, a defesa de Cordovil afirmou: "Nossa expectativa é a de que a verdade venha à tona através do contraditório e da ampla defesa. Viemos para esclarecer os fatos com base exclusiva nas provas colhidas ao longo do processo, e confiamos que a instrução probatória demonstrará a improcedência das imputações."



