PM morta em BH: investigação aponta feminicídio; marido preso
PM morta em BH: investigação aponta feminicídio

A morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais, Michele Leão Azevedo, de 41 anos, é investigada como feminicídio pela Polícia Civil. O marido, sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi preso em flagrante na noite de segunda-feira (20) após levar a esposa já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. A prisão foi convertida em preventiva durante audiência de custódia na quarta-feira (22).

Lesões e versão do suspeito

Segundo o boletim de ocorrência, Michele apresentava traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas, marcas compatíveis com chicotadas e um corte profundo na cabeça. A equipe médica estimou que a morte ocorrera entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital. Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal participou de uma confraternização na noite anterior, consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy, e depois manteve relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Ele alegou que Michele caiu da escada por volta do meio-dia, recusou atendimento médico, e que ambos dormiram até a noite, quando ele percebeu que ela não respondia e a levou ao hospital. A versão é contestada pela investigação.

Imagens e provas apreendidas

Câmeras de segurança do prédio registraram Eduardo saindo do elevador carregando Michele nos ombros até a garagem e colocando o corpo no carro. Os vídeos estão sendo analisados. Durante a ocorrência, policiais encontraram comprimidos semelhantes a ecstasy descartados por Eduardo em uma lixeira do hospital. No apartamento, peritos recolheram um cabo de madeira quebrado no lixo do prédio, roupas de cama lavadas e ainda molhadas na máquina de lavar, além do celular do sargento e do veículo utilizado. Todo o material passará por perícia.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Histórico de violência

A Polícia Civil confirmou que Eduardo possuía registros anteriores de violência contra a mulher. O g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados por uma ex-companheira em 2016, que relatou agressões físicas, ameaças e descumprimento de medida protetiva. O militar também foi preso por embriaguez ao volante em 2023 e recebeu sanções disciplinares ao longo da carreira.

Perfil da vítima e família

Michele era capitã da PM desde 2010, bacharel em Ciências Militares, com especialização em Docência no Ensino Superior e formação em Direitos Humanos. Familiares descrevem o relacionamento como marcado por controle psicológico, ciúmes e sucessivas separações e reconciliações. O tio e um primo disseram que Eduardo era "ciumento e manipulador" e relataram episódios de invasão à casa da família durante uma separação. A família cobra esclarecimento completo das circunstâncias da morte.

Decisão judicial e reações

Na audiência de custódia, o juiz converteu a prisão em flagrante em preventiva, considerando necessária para garantir a ordem pública. O processo tramita sob segredo de Justiça. A comandante-geral da PM, coronel Cleide Barcelos, classificou o caso como violência doméstica e familiar e afirmou que a corporação seguirá atuando no enfrentamento à violência contra as mulheres. A defesa de Eduardo informou que acompanha as investigações, pediu que sejam aguardados os laudos periciais e confia no devido processo legal. O velório e sepultamento ocorreram na quarta-feira (22), em Belo Horizonte, em cerimônia restrita.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar