A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga o advogado Willian Barile Agati por suspeita de tentar vender influência no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a um indivíduo identificado como 'concierge do PCC'. Segundo as investigações, Agati atuaria como um 'faz-tudo' para a facção criminosa e serviria de ponte entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana.
Advogado apontado como elo entre PCC e máfia italiana
Willian Barile Agati, que já atuou como advogado de lobistas, teria oferecido acesso a ministros do STJ em troca de vantagens indevidas. O termo 'concierge do PCC' é usado pelos investigadores para descrever um intermediário que facilita negócios e conexões para a facção. A suspeita é que Agati possuía contatos estratégicos no tribunal e os utilizava para beneficiar o grupo criminoso.
De acordo com apurações preliminares, o advogado também seria o responsável por estabelecer contatos com organizações criminosas italianas, como a 'Ndrangheta, ampliando a atuação internacional do PCC. Essa conexão envolveria esquemas de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, com ramificações em vários países.
Investigação revela tentativa de vender influência
As suspeitas surgiram no âmbito de uma operação mais ampla da PGR que mira a atuação de lobistas e intermediários no Judiciário. Durante as investigações, foram encontradas evidências de que Agati teria cobrado valores elevados para intermediar encontros com ministros do STJ e garantir decisões favoráveis a integrantes do PCC.
Um dos casos sob análise é a suposta oferta de Agati a um 'cliente' do PCC: acesso a informações privilegiadas sobre julgamentos e a possibilidade de influenciar votos de magistrados. A PGR ainda não divulgou o nome do ministro ou ministros que seriam alvo da tentativa de cooptação.
A defesa de Willian Barile Agati nega todas as acusações e afirma que as investigações são infundadas. Em nota, os advogados do suspeito declararam que 'não há qualquer prova concreta de venda de influência' e que o cliente 'confia na apuração dos fatos pela Justiça'.
Conexão com a máfia italiana amplia complexidade do caso
O envolvimento com a máfia italiana coloca o caso em uma dimensão internacional. A PGR trabalha em conjunto com autoridades da Itália para rastrear movimentações financeiras e identificar possíveis operações conjuntas entre o PCC e a 'Ndrangheta. Este não é o primeiro indício de ligação entre as duas organizações; investigações anteriores já apontaram para acordos de fornecimento de cocaína e lavagem de dinheiro.
A atuação de Willian Barile Agati como ponte entre os grupos é vista como um dos elos mais concretos já identificados. Ele supostamente utilizava sua formação jurídica e contatos no meio político e jurídico para facilitar transações e garantir impunidade para membros do PCC.
Impacto no STJ e no sistema de Justiça
O caso levanta preocupações sobre a vulnerabilidade do Judiciário a tentativas de corrupção e influência externa. O STJ, como a mais alta instância da Justiça brasileira para questões não constitucionais, é frequentemente alvo de lobistas e intermediários. A PGR reforçou a necessidade de medidas de transparência e controle interno para evitar que advogados e lobistas utilizem contatos para benefícios ilícitos.
Até o momento, nenhum ministro do STJ foi formalmente investigado, mas a PGR não descarta aprofundar as apurações caso surjam indícios de envolvimento de magistrados. O caso segue em segredo de Justiça, com diligências em andamento para coleta de provas e oitiva de testemunhas.
Willian Barile Agati pode ser indiciado pelos crimes de corrupção ativa, tráfico de influência e organização criminosa. Se condenado, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão, considerando a gravidade das acusações e a conexão com facções criminosas.



