Um relatório da Polícia Federal (PF) apontou que, em outubro de 2023, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, esposa do senador Jaques Wagner (PT-BA), foi uma das visitantes levadas pelo empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, para uma viagem de lazer à Ilha da Paixão, uma propriedade de luxo no litoral de Candeias, na Bahia. O episódio foi classificado pelos investigadores como uma das vantagens concedidas ao parlamentar pelo empresário.
O combinado da viagem
Segundo o documento da PF, a viagem foi combinada no dia 11 de outubro de 2023, quando o próprio senador enviou uma mensagem de áudio a Lima confirmando a presença da esposa. “Bom dia, Guga. Tudo indica que Fatinha topa ir no sábado. Aí a gente combina mais pra frente, abraço”, disse Wagner, conforme registrado no inquérito.
Na ocasião, Lima colocou à disposição de Maria de Fátima um helicóptero, enviando previamente o prefixo da aeronave. A Ilha da Paixão, adquirida pelo empresário naquele mesmo ano, é descrita pela PF como um local que conta com casas de luxo, heliponto, piscina, quadra esportiva e uma praia exclusiva de águas cristalinas.
Mensagens de agradecimento
De acordo com o conteúdo extraído do celular de Augusto Lima, após a chegada ao local, Fátima Mendonça enviou mensagens de agradecimento ao empresário. Nos textos, ela relata “Chegamos” e “Tudo lindo !!!”, além de demonstrar afeto à família do anfitrião ao afirmar “A gente ama vcs”.
Relação de proximidade e troca de favores
No relatório da PF, as viagens na aeronave do empresário são indicadas como favores concedidos a Wagner em troca de sua atuação política no Congresso Nacional para beneficiar os interesses do Banco Master. A PF destaca que os episódios demonstram uma “relação de proximidade” entre o senador e o empresário. Segundo a investigação, essa relação incluiu ao menos duas viagens de helicóptero e outras regalias, todas registradas como parte de um esquema de tráfico de influência.
O Banco Master, controlado por Augusto Lima até 2023, tem sido alvo de investigações por supostas irregularidades. A defesa de Jaques Wagner não se manifestou até o momento sobre as acusações. O caso corre em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou a quebra de sigilo de dados telefônicos e o monitoramento em tempo real do celular do senador por dez dias.



