PF apura movimentação de R$ 2,3 bi de ex-CEO da Americanas
PF apura movimentação de R$ 2,3 bi de ex-CEO da Americanas

A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar a movimentação de R$ 2,3 bilhões por um ex-CEO da Americanas. A informação foi divulgada pelo blog Lauro Jardim, do jornal O Globo, e já gera repercussão no mercado financeiro e no meio jurídico. A investigação está em fase inicial, e novos detalhes devem surgir nos próximos dias.

De acordo com a publicação, a PF identificou os valores em registros financeiros ligados ao ex-executivo. Os investigadores agora trabalham para cruzar dados e verificar se a movimentação tem relação com as irregularidades contábeis que abalaram a varejista.

O que a PF apura

O objetivo da investigação é rastrear a origem e o destino dos recursos. Caso seja confirmada a existência de irregularidades, o ex-CEO poderá ser enquadrado em crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraude contábil.

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Para avançar na apuração, a PF costuma adotar uma série de procedimentos:

  • Quebra de sigilo bancário e fiscal
  • Análise de contratos e documentos corporativos
  • Cruzamento de dados com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
  • Verificação de envio de recursos para o exterior
  • Ouvida de ex-funcionários e membros da diretoria

A movimentação de R$ 2,3 bilhões

O valor investigado é um dos maiores já citados em casos ligados à Americanas. Para se ter uma ideia, a quantia é suficiente para comprar uma grande empresa ou financiar obras públicas em diversos municípios. A PF deve utilizar peritos especializados em finanças para reconstruir o caminho do dinheiro.

Essa análise poderá mostrar se os recursos foram usados na compra de imóveis, veículos, embarcações, participações societárias ou aplicações no país e no exterior. Se houver indícios de remessas para offshores, a investigação deverá contar com cooperação internacional.

O contexto da crise da Americanas

A Americanas enfrenta uma das maiores crises empresariais da história do Brasil. Em janeiro de 2023, a companhia comunicou ao mercado inconsistências contábeis bilionárias, o que provocou queda nas ações, renúncia de executivos e pedido de recuperação judicial.

Desde então, a empresa passou a ser alvo de investigações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no Ministério Público e na própria Polícia Federal. Ex-diretores e conselheiros foram chamados a prestar esclarecimentos, e alguns firmaram acordos de delação.

O novo caso envolvendo o ex-CEO é mais um desdobramento. A apuração pode trazer informações decisivas sobre a participação da alta cúpula nas fraudes que resultaram no rombo bilionário.

Possíveis penas

Se condenado por lavagem de dinheiro, o ex-CEO pode pegar de 3 a 10 anos de reclusão, conforme a Lei 9.613/1998. Já o crime de evasão de divisas, previsto na Lei 7.492/1986, tem pena de 2 a 6 anos de reclusão, além de multa.

Caso fique comprovado o envolvimento em fraudes contábeis, ele ainda pode responder por falsidade ideológica e por danos a acionistas e credores. A denúncia, quando houver, será apresentada pelo Ministério Público Federal.

O inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário, que decidirá sobre a abertura de ação penal. A eventual condenação dependerá das provas colhidas pela PF e das alegações da defesa.

Repercussão e próximos passos

A notícia foi recebida com cautela no mercado. A Americanas ainda tenta se reerguer sob recuperação judicial, e uma nova frente de investigação pode trazer impactos para o andamento do plano de recuperação. Investidores e analistas devem acompanhar a evolução do caso.

Nos próximos meses, a PF deve ouvir testemunhas, analisar documentos e concluir o inquérito policial. Não estão descartadas novas fases da operação, com busca e apreensão de materiais em endereços ligados ao ex-CEO. O sigilo do caso impede a divulgação de detalhes no momento.

O trabalho de perícia deve incluir uma análise minuciosa de balanços, notas fiscais e contratos de câmbio. A colaboração de outros órgãos, como a Receita Federal, será essencial.

O episódio também coloca em discussão a forma como executivos são fiscalizados no Brasil. A atuação da PF, nesse caso, pode servir de precedente para que outras empresas revejam suas práticas de compliance.

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