A Justiça revogou nesta quarta-feira (17) a prisão preventiva do mecânico José Alves da Costa Filho, suspeito de agredir a esposa, Bianca Leite, com socos. O caso ocorreu no dia 3 de maio, no bairro Dirceu, na Zona Sudeste de Teresina, e foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o homem desferindo dois socos no rosto de Bianca, que após o segundo golpe, cai no chão.
A decisão foi expedida pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital. A prisão havia sido decretada com base na necessidade de garantir a ordem pública. Segundo o documento, o juizado entendeu que a manutenção da custódia cautelar de José Alves da Costa Filho "não se revela mais extremamente necessária". "Outras medidas cautelares menos gravosas podem ser estabelecidas em substituição à prisão preventiva decretada", afirma a decisão.
Com a revogação, o suspeito passará a usar tornozeleira eletrônica por três meses. Ele também deverá cumprir medidas definidas pelo juizado, como o comparecimento bimestral ao Núcleo de Atenção ao Preso Provisório (NAPP) e ao juízo sempre que for intimado. Além disso, está proibido de se ausentar da comarca sem autorização e deve comunicar qualquer mudança de endereço. O juizado prevê que a vítima poderá solicitar a instalação de um botão de pânico, com raio mínimo de 200 metros, e procurar o Centro Especializado de Atenção e Apoio às Vítimas (CAAV).
Histórico de violência
"Ele já me bateu com rodo, mangueira e corrente de rede. Eu sempre me calava", relembrou Bianca Leite, de 30 anos, que foi agredida pelo marido em uma via pública do bairro Dirceu. Em entrevista, Bianca contou que o primeiro soco ocorreu dentro do local onde estavam. Em seguida, já desorientada pela agressão inicial, foi atacada novamente do lado de fora. O casal mantinha um relacionamento há cerca de 15 anos, sendo 10 de casamento, e tem dois filhos. Bianca contou que a violência começou ainda nos primeiros meses de namoro e se intensificou com o tempo. Motivadas por traições, consumo de álcool e mentiras, as agressões eram presenciadas pelos filhos. "Meu filho não consegue olhar para mim", desabafou a vítima, referindo-se ao olho roxo causado pelos socos.
A reportagem buscou contato com a defesa do mecânico, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Vitória Bacelar, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros.



