Mário Almeida Pinto, de 46 anos, confessou à polícia ter assassinado a esposa Monique Oliveira Fernandes, de 33 anos, e enterrado o corpo dentro do quarto da própria casa, em São José do Calçado, no Sul do Espírito Santo. A mulher estava desaparecida há 20 dias.
Crime e ocultação do corpo
Segundo o delegado titular da Delegacia de Polícia (DP) de São José do Calçado, Messias Sirtuli, Mário cavou um buraco no quarto do casal, enterrou o corpo, reconstruiu o contrapiso com cimento e instalou novo piso cerâmico para ocultar o cadáver. "Precisamos de apoio porque, de fato, ele tinha feito um túmulo bem feito para Monique", afirmou Sirtuli.
Durante as investigações, a polícia desconfiou ao saber que Mário estava realizando uma obra na casa mesmo com a esposa desaparecida. "Isso nos acendeu um alerta. A todo momento ele se mostrava sempre muito calmo, muito frio, tranquilo, com o desaparecimento dela", completou o delegado.
Confissão e versão do marido
Mário inicialmente sustentava que Monique havia viajado para Rio das Ostras, mas não conseguiu manter a versão. Na sexta-feira (24), ele se apresentou à polícia acompanhado de advogado e confessou o assassinato. "Ele disse em depoimento que o casal brigou. Que Monique teria partido para cima dele com uma faca e, para se defender, pegou um banco de madeira e golpeou a cabeça dela. Ela se levantou, teria partido para cima dele de novo, e nesse momento ele deu outro golpe na cabeça dela. Ela caiu desacordada e morta, segundo ele", explicou o delegado.
Prisão e flagrante
Mário foi autuado em flagrante por ocultação de cadáver e encaminhado ao sistema prisional. "Embora o investigado tenha confessado a prática do feminicídio, ele foi autuado em flagrante apenas pelo crime de ocultação de cadáver. Isso porque, em relação ao homicídio, não estavam presentes as hipóteses legais de flagrante previstas no Código de Processo Penal, uma vez que o crime teria ocorrido dias antes da apresentação espontânea do investigado à delegacia", esclareceu Sirtuli.
Desabafo da mãe
A mãe de Monique, Silvania Santos de Oliveira, disse que "fez de tudo para tentar evitar que essa tragédia acontecesse". Ela contou que o relacionamento era marcado por desentendimentos e que aconselhou a filha a deixar o companheiro. "A situação começou quando minha filha descobriu mensagens de outra mulher no celular dele. Disse para a Monique vir embora para a minha casa. Fiz de tudo para evitar essa tragédia", afirmou. "Ele é um assassino. Se gostasse mesmo dela, não teria feito isso. Um homem que tira a vida de alguém não ama, não tem coração e não merece liberdade. Quero que a Justiça de Deus seja feita e que ele pague por tudo o que fez", declarou.
Vítima e contexto
Monique Oliveira Fernandes deixa dois filhos adolescentes, um menino de 12 anos e uma menina de 14, frutos de um relacionamento anterior. O corpo foi descoberto na noite de sexta-feira (24) na residência do casal, no centro de São José do Calçado. Monique estava desaparecida desde 7 de julho. A família registrou boletim de ocorrência em 14 de julho e realizava buscas por conta própria. O corpo foi encaminhado para a Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim.



