Justiça do Ceará converte prisão de suspeito de ameaçar irmão de prefeito em domiciliar
Justiça do Ceará converte prisão em domiciliar para suspeito

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) decidiu, neste sábado (1º), substituir a prisão preventiva de José Eieldo Lima da Silva, de 41 anos, por prisão domiciliar. Ele é suspeito de ameaçar de morte o irmão do prefeito de Monsenhor Tabosa, no interior do Ceará. A decisão atendeu a um pedido da defesa, que alegou graves problemas de saúde do investigado.

Decisão judicial e condições de saúde

Em nota oficial, o TJCE confirmou que, após a decretação da prisão preventiva, a defesa ingressou com pedido de habeas corpus no plantão do 2º Grau. O pedido foi concedido por Eieldo ser paciente renal crônico, com laudo médico compatível. A defesa também destacou que ele é cadeirante e necessita de hemodiálise regular.

José Eieldo foi preso na última sexta-feira (31), em Crateús, sob suspeita de enviar ameaças de morte a Francisco de Assis Sousa Júnior, subsecretário de Agricultura de Monsenhor Tabosa e irmão do prefeito Francisco Salomão (PT). As investigações da Polícia Civil indicam que ele é um dos líderes do Comando Vermelho na região.

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Medidas cautelares impostas

A Justiça acatou parcialmente o pedido e impôs 15 medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de deixar a residência (exceto para tratamento de saúde e atos judiciais) e proibição de usar redes sociais, aplicativos de mensagens e outros meios de comunicação. Caso descumpra as medidas, a prisão domiciliar será revogada e a preventiva restabelecida.

Na audiência de custódia, a advogada do suspeito argumentou que ele possui mobilidade reduzida e insuficiência renal crônica, o que torna o cárcere incompatível com sua condição. O tratamento de hemodiálise exige sessões de aproximadamente 4 horas no município de Crateús.

Investigação e antecedentes

No momento da prisão, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão e recolheu três celulares, incluindo um que teria sido usado para enviar as mensagens. O caso foi considerado elucidado, e o suspeito foi autuado por integrar organização criminosa ultraviolenta. Ele já tinha antecedentes por posse irregular de arma de fogo, porte ilegal, tráfico de drogas e associação criminosa.

O prefeito Francisco Salomão, em vídeo publicado nas redes sociais, defendeu o irmão e informou que registrou boletim de ocorrência na quarta-feira (29). As mensagens atribuídas ao Comando Vermelho continham ameaças diretas a Assis Júnior. A Prefeitura de Monsenhor Tabosa classificou as ameaças como "uma tentativa de intimidação contra o prefeito e sua família".

Reações e contexto

Em sua manifestação, Salomão afirmou: "Quem conhece o meu irmão sabe, homem honesto, trabalhador, que não tem qualquer tipo de envolvimento com esse tipo de coisa e nunca terá, porque eu conheço a índole do meu irmão, Júnior. Pelas circunstâncias, as ameaças têm o objetivo de nos intimidar, atingindo aquilo que nós temos de mais valioso, que é a nossa família. Mas eu quero deixar uma coisa bem clara: quem tenta atingir um homem, atingindo a família, ultrapassa todos os limites".

O caso ocorre em meio a disputas territoriais entre o Comando Vermelho e o PCC no Ceará. Em 2025, centenas de moradores do distrito de Uiraponga, em Morada Nova, abandonaram suas casas devido à violência, retornando apenas em 2026. A situação reflete a tensão que atinge diversos municípios do estado.

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