Justiça revoga tornozeleira de Karen 'Japa', investigada pelo PCC
Justiça de SP revoga tornozeleira de Karen 'Japa'

Decisão da Justiça de São Paulo

A Justiça de São Paulo revogou as medidas cautelares que obrigavam Karen de Moura Tanaka Mori, a “Japa”, a usar tornozeleira eletrônica e a cumprir recolhimento noturno e nos dias de folga. A decisão, assinada pela juíza Paula Regina Schempf Cattan, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, foi proferida após pedido da defesa.

No lugar das restrições, a investigada deverá apenas não deixar o estado de São Paulo sem autorização judicial e entregar o passaporte à Justiça. A obrigação de comparecer mensalmente em juízo para justificar atividades foi mantida.

O que diz a defesa

Os advogados de Karen pediam o fim do monitoramento eletrônico, apontado como “instrumento de punição e tortura psicológica”. Eles alegaram que a investigada sempre esteve à disposição das autoridades e nunca quebrou as medidas impostas. A defesa também afirmou que, mesmo após o encerramento do inquérito, novas investigações foram abertas, prolongando o uso da tornozeleira. Os advogados pontuaram que Karen, até o momento, não foi denunciada pelo Ministério Público.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Fundamentos da juíza

Ao acolher parcialmente o pedido, a juíza considerou que manter a tornozeleira e o recolhimento noturno por tempo indefinido seria desproporcional e poderia transformar uma medida cautelar em “espécie de pena antecipada”. “Não se justifica que uma pessoa permaneça submetida a recolhimento noturno e nos dias de folga e a monitoração eletrônica enquanto se aguarda a conclusão de diligências que deveriam ter sido realizadas há muito tempo”, destacou.

A magistrada também levou em conta que Karen tem residência fixa, não violou as medidas anteriores e não demonstrou tentativa de fuga. “O recolhimento noturno e nos dias de folga é medida que restringe significativamente a vida social e familiar”, disse.

Passaporte e diligências

A determinação estipula que a investigada entregue o passaporte em até cinco dias para que a tornozeleira seja retirada. A defesa, contudo, informou que o documento já havia sido apreendido pela Polícia Civil. A juíza também pediu que a Polícia Civil informe, em até 30 dias, o andamento das diligências, especialmente sobre a perícia no celular apreendido.

Investigação e prisão

Karen foi presa em fevereiro de 2024 com mais de R$ 1 milhão e US$ 50 mil no litoral de São Paulo. A prisão foi convertida em domiciliar por causa do filho que teve com “Cabelo Duro”, apontado como um dos chefes do PCC, e depois substituída por medidas cautelares, cumpridas desde agosto de 2025.

O anúncio da prisão foi feito durante a Operação Verão pelo então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, e pelo delegado-geral da Polícia Civil, Artur José Dian. Conforme Dian, as investigações iniciadas em junho de 2023 indicavam Japa como uma das principais responsáveis pela lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na Baixada Santista.

“Ela fazia a lavagem de dinheiro através de diversas empresas de 'laranjas'. Pegava esse dinheiro e o fazia circular. Os relatórios de informações financeiras levam a milhões de reais”, explicou o delegado-geral à época.

Movimentação financeira e buscas

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) mostrou que uma empresa criada por Karen movimentou mais de R$ 35 milhões. Na ocasião, foram cumpridos três mandados de busca:

  • em uma residência em Bertioga;
  • em um escritório virtual usado para acordos de lavagem;
  • no apartamento onde ela foi detida, no Tatuapé, em São Paulo.

Vínculo com o PCC

Karen é viúva de “Cabelo Duro”, executado em 2018 e apontado como um dos principais chefes do PCC. Ele foi investigado por roubos em marinas de luxo e pelo assassinato de um policial militar. A polícia também apura se Cabelo Duro desviou dinheiro ou participou das mortes de outros dois integrantes da facção: Rogério Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano de Souza, o Paca.

Segundo a Polícia Civil, Karen já havia se relacionado com outro integrante do PCC, conhecido como “Juan”, também executado em 2011. À época da prisão, a defesa dela afirmou desconhecer o envolvimento dos companheiros com o crime organizado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar