O Tribunal do Júri de Bauru absolveu, nesta terça-feira (9), Edna Aparecida de Souza Ribeiro, que era acusada de envenenar a própria filha para se vingar do ex-marido. O crime teria ocorrido em agosto de 2014, quando a menina tinha apenas 9 anos. O novo julgamento foi realizado após a anulação da primeira condenação, que havia imposto pena superior a 25 anos de prisão.
A sessão teve início às 9h no Fórum de Bauru. Durante os trabalhos, o Ministério Público sustentou a acusação de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e uso de veneno, além de extorsão mediante sequestro. Segundo a denúncia, Edna teria tentado matar a filha como forma de vingança contra o ex-companheiro.
Confissão e ameaças
Na época, Edna confessou à polícia que colocou veneno de rato na sopa que preparou para ela e para a filha. As investigações também apontaram que, após ingerir a refeição, a criança foi ameaçada com uma faca pela mãe. O pai só poderia socorrer a menina se transferisse um carro para o nome da ex-companheira. Posteriormente, o casal reatou o relacionamento.
Defesa alega transtorno mental
A defesa de Edna sustentou que ela sofre de transtornos mentais e que, na data dos fatos, estaria em surto psicótico. Os advogados argumentaram que não havia comprovação material do envenenamento, já que a sopa não foi periciada. A filha da acusada, hoje com 21 anos, e o companheiro prestaram depoimento em favor da ré.
Sobrevivência e absolvição
A menina foi encaminhada ao Hospital Estadual de Bauru e sobreviveu após receber atendimento médico. Mãe e filha passaram por lavagem estomacal. Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença, por maioria, absolveu a ré de todos os crimes.
Após a absolvição, o advogado Thiago Munaro declarou: "É importante que a população saiba que essa absolvição decorre da inocência da dona Edna. Não havia prova do envenenamento, não havia prova da extorsão, a filha, que era a vítima, não queria a mãe presa, não queria a mãe condenada. O depoimento dela foi fundamental." Ele completou: "Nós trouxemos todo esse histórico para os jurados. Também não tinha prova da extorsão mediante sequestro. Foi um processo mal conduzido, mal julgado na primeira vez, e hoje prevaleceu a verdade."
Primeiro julgamento e anulação
Em abril de 2022, Edna foi condenada a 25 anos, seis meses e 13 dias de prisão. Embora denunciada por tentativa de homicídio, acabou condenada por lesão corporal qualificada por motivo torpe e extorsão mediante sequestro. Após a sentença, foi levada ao presídio de Tremembé, mas solta depois que o Tribunal de Justiça anulou o julgamento e determinou novo júri. A anulação ocorreu após recursos da defesa e do Ministério Público. Os desembargadores entenderam necessária nova análise dos fatos, diante de laudos complementares e novas manifestações técnicas sobre a potencialidade do veneno e as consequências na vítima.



