O julgamento de Bruno Gonçalves de Souza, acusado de matar o próprio pai, o empresário Walas Rodrigues de Souza, começou nesta quinta-feira (23) no Fórum de Montes Claros. O crime ocorreu em 31 de março de 2025, e o réu foi preso logo após o homicídio.
O crime e a prisão
Segundo a Polícia Militar, no dia do crime, a corporação foi acionada para atender disparos de arma de fogo perto de um bar na Avenida Deputado Esteves Rodrigues, no Centro. Ao chegar, os militares encontraram o empresário baleado e caído. O Samu confirmou o óbito no local. A perícia da Polícia Civil apontou que o corpo tinha seis perfurações nos braços e no tórax.
Testemunhas relataram que Bruno chegou ao bar e cumprimentou a companheira do pai, mas Walas estava manuseando o celular e não o viu. Posteriormente, Bruno retornou e, quando a vítima se dirigia ao veículo em um estacionamento próximo, efetuou os disparos pelas costas e fugiu a pé. Ele foi encontrado em um hotel na saída para Belo Horizonte, deitado em um quarto, com a arma do crime. Também foi apreendida outra arma na casa da vítima, entregue pela companheira.
Versão da família e da defesa
Whellington Souza, irmão da vítima, afirmou: “Foi uma pessoa muito bem criada a vida inteira por nós, pelo pai. É uma pessoa que viveu sempre com a gente. Foi uma coisa bárbara, foi uma coisa inesperada. Não existiu necessidade nem motivo dessa situação. Ele simplesmente ficou uma pessoa muito covarde de fazer isso com o nosso irmão. E hoje a gente está tentando ver se a justiça. Isso seria feita”.
A defesa, no entanto, contesta essa versão. O advogado de Bruno, Warlem Freire, declarou que o cliente era vítima do pai e recebia ameaças. “Ele tem um histórico de vida em que trabalhou o tempo todo com o pai e, nos últimos tempos, eles dividiam a sociedade de uma empresa. Houve uma divergência em relação ao término das atividades empresariais e, em razão disso, esse desentendimento gerou ameaças do pai para o filho. Essas ameaças estão registradas em áudios que serão apresentados.”
Indiciamento e motivação
A delegada Francielle Drumond, da Polícia Civil, afirmou que o filho armou uma emboscada para o pai. Antes do crime, eles estavam em um bar. “Em um determinado momento, o filho foi embora e se posicionou na rua lateral desse estabelecimento comercial, se escondeu atrás de um veículo, em uma situação de emboscada, de tocaia, aguardou o pai sair e se dirigir ao veículo para ir embora e surpreendeu o pai com vários disparos de arma de fogo.”
Com base em análises de imagens, depoimentos e laudos, a delegada destacou que a polícia acredita em premeditação. A vítima frequentava o bar sempre no mesmo dia e horário. “Há uma forte possibilidade de o crime ter sido premeditado pelo autor. Ele teria chegado ao estabelecimento comercial armado, por volta das 17h30, ou seja, o local ainda não estava aberto. Ele aguardou o bar abrir e ficou ali. Por volta das 18h, o pai chegou junto com a sua companheira. Em determinado momento, esse pai teria ido embora e o filho teria ficado em situação de tocaia, aguardando o pai passar para efetuar os disparos.”
Quanto à motivação, testemunhas disseram que pai e filho se desentenderam pelo fechamento de uma empresa, em abril de 2024, da qual eram sócios. “Testemunhas disseram que ele acusava o pai dos prejuízos financeiros e de sua atual situação de escassez financeira”, completou a delegada. Sobre a informação de que o revólver usado no crime teria sido dado pelo pai, Francielle afirmou que apenas uma testemunha confirmou isso.
Pena e desfecho
Se condenado por homicídio qualificado por emboscada, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, Bruno poderá pegar até 30 anos de prisão. Apesar de ter confessado o homicídio no dia da prisão, ele permaneceu em silêncio ao prestar depoimento à Polícia Civil.



