A Polícia Civil do Ceará concluiu o inquérito sobre a morte da bebê de 10 meses ocorrida em 13 de julho no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza. A mãe, Ysabelle Rodrigues, de 29 anos, foi indiciada por homicídio culposo comissivo por omissão, e Roberto Levy Oliveira Magalhães, 26, primo do namorado da mãe, por homicídio culposo. O namorado, Francisco Ray Rodrigues Magalhães, 22, que chegou a ser preso, não foi indiciado.
Laudo pericial descarta estupro
O laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) constatou que a causa da morte foi asfixia, descartando a hipótese de estupro inicialmente levantada. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), exames laboratoriais não detectaram álcool ou drogas no sangue da criança, nem presença de sêmen ou material genético dos dois homens envolvidos. O exame sexológico apontou ausência de violência sexual.
Mudança na linha de investigação
Inicialmente tratado como estupro de vulnerável seguido de morte, o caso foi reclassificado como homicídio culposo após a conclusão dos laudos periciais. A polícia informou que as prisões em flagrante se basearam em documento emitido por um hospital particular, onde a bebê foi atendida por quatro médicos de emergência pediátrica e dois cardiologistas.
O advogado de Ysabelle, Weryd Simões, criticou o indiciamento: “Trata-se da mesma investigação que, antes de esclarecer os fatos, promoveu a prisão de pessoas inocentes, arruinou reputações, submeteu cidadãos à exposição pública e colocou vidas em risco”. Ele afirmou que confia na análise técnica do Ministério Público e do Judiciário para restabelecer a justiça.
Defesa do namorado comemora decisão
Gleicy Kelly Leitão, advogada de Francisco Ray, celebrou a não inclusão de seu cliente no indiciamento. “É uma pessoa sem antecedentes criminais, nunca foi réu em nenhum processo, e assim continuará sendo”. Ela afirmou que Ray “sairá pela porta da frente e de cabeça erguida para recomeçar sua vida”. A defesa lamentou a morte da criança e disse que o namorado está extremamente abalado.
A defesa de Roberto Levy não foi localizada para comentar o indiciamento.
Circunstâncias da morte
A bebê morreu na casa onde Ray morava. A mãe estava presente e, inicialmente, achou que a filha estivesse engasgada, acionando a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Como o socorro não chegou, ela levou a criança a uma unidade de saúde por conta própria. Segundo a advogada de Ray, Levy teria “esmagado a criança com seu peso corporal ao deitar na cama, embriagado”, causando a asfixia.
Situação dos presos
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou que Roberto e Francisco permanecem presos. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva durante audiência de custódia em 14 de julho. Novos documentos foram juntados aos autos e serão analisados pelas instituições do Sistema de Justiça. O TJCE ressaltou que, por envolver criança, o caso está protegido por sigilo legal, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).



